segunda-feira, 19 de setembro de 2011

REC


REC é um filme espanhol de 2007 dirigido por Jaume Balagueró e Paco Plaza que traz a ideia de um falso documentário. Uma reporter, Angela, e seu operador de câmera pablo estão gravando um programa para uma tv local de Barcelona (o fictício "enquanto você dorme"). Naquela noite, Angela estava cobrindo uma noite com o corpo de bombeiro, para registrar o cotidiano desses homens. No começo tudo está bem, calmo até demais, e Angela aproveita pra registrar coisas comuns do batalhão, como o local em que eles comem, descansam, se distraem e se exercitam. A repórter espera ansiosa por uma chamada, já que a equipe de tv irá acompanhar os bombeiros na "aventura". Um bombeiro até explica pra ela que, muitas vezes, os chamados são coisas bem simples, como resgatar animais de estimação, por exemplo.


A sirene toca. Uma chamada para a equipe atender. Não é um incêndio, por isso só uma pequena equipe se desloca para atender a ocorrência. Angela e Pablo vão com eles.
Eles chegam a um pequeno prédio de apartamentos. Os vizinhos contam que chamaram socorro porque ouviram muitos gritos vindo do apartamento de uma senhora idosa. A polícia também já tinha chegado e, todos (policiais e bombeiros) foram até o apartamento para resgatar e prestar socorro à mulher. Claro que Angela e Pablo acompanham os profissionais, mesmo com reclamações dos policiais.
Quando eles chegam no tal apartamento, as coisas começam a acontecer! O filme começa a esquentar!!! A velha está toda suja de sangue e, quando um policial tenta acalmá-la, ela pula sobre ele, alucinadamente, como um animal feroz... arrancando pedaços.


A tensão vai aumentando. Eles não conseguem sair do prédio porque as autoridades isolaram o local. Mesmo com um policial gravemente ferido, ninguém pode sair dali. O pânico se instaura.
O prédio estava infectado por alguma coisa terrível, uma espécie de "raiva" super forte, que era transmitida pela saliva e que transformava os infectados em monstros violentos.
Ninguém consegue entender o que está havendo, até que o governo manda um agente sanitarista para colher amostras de sangue dos moradores e de todos que estão lá dentro para saber quem poderá sair... mas é claro que as coisas saem do controle.


As cenas que vemos são todas da câmera de Pablo, como se realmente tivessem acontecendo de verdade.
O que posso dizer é que os espanhóis conseguem trazer o clima de realismo que alguns outros filmes nesse estilo não conseguem (como o aclamado - mas bomba na minha opinião - "Atividade Paranormal").
Quando "Bruxa de Blair" surgiu, confesso que cheguei a acreditar na possibilidade daquilo ser real (eu não tinha internet em casa, e mesmo que ela já existisse, o acesso às informações era bem mais limitado que hoje), agora com REC, mesmo sabendo que é um filme (assumidamente um filme), temos a impressão de realismo. Os atores estavam muito bem e, segundo algumas revistas sobre cinema, algumas cenas foram filmadas sem que eles soubessem, para dar mais realismo ainda (como por exemplo o momento que um bombeiro cai das escadas. Aquele susto foi real!).


Gostei muito de REC. É um filme relativamente simples, mas conseguiu manter minha atenção. Ok, é um filme curto... e o bicho começa pegar mesmo só depois de um tempo... ainda assim, fiquei ligada nele o tempo todo. Consegue ser envolvente, assustador, nojento... conseguiu me dar uns sustos! (eu gosto de ser assustada vendo filmes de terror! hehehehehe).


Pra variar, os americanos ficaram com invejinha e fizeram uma cópia (Quarentena, de 2008) - os americanos vivem fazendo cópias de filmes bons de outros países (como o espetacular "Deixa ela entrar", e tantos outros orientais).

Há uma sequência (REC 2, de 2009), REC 3: Gênesis que parece que vai estrear em janeiro de 2012 e já um quarto filme também.

Vale a pena assistir!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A volta dos mortos vivos

Há tempos este filme está na minha lista de "rever"! Depois de terem comentado sobre ele comigo, resolvi colocá-lo como prioridade.
Ah, como eu me divirto com os filmes de terror dos anos oitenta!!!
O clima trash, a trilha sonora de sintetizador, o ar cômico, as maquiagens mal feitas, os bonecos toscos!!! Que delícia! As vezes penso que o excesso de efeitos especiais e os litros e mais litros de sangue falso em produções modernas tiram um pouco do glamour do estilo! Eu me irrito um pouco quando os diretores modernos abusam do CGI... confesso: prefiro as alternativas toscas!!! heheehehehe

Esse filme é um clássico do terror dos anos oitenta! Lançado em 1985, com direção de Dan O'Bannon (que fez o roteiro de "Alien"), segue na rabeira do outro clássico (mais clássico ainda) de George Romero: "A noite dos mortos vivos", de 1968 (que, pra quem não sabe, é o "pai" dos zumbis! -- só uma informação técnica: Romero não foi o primeiro a fazer filmes de zumbis, mas o primeiro a ganhar destaque e fazer desse um tema famoso).

A história de "A volta dos mortos vivos" é relativamente simples, mas bem amarrada (vou contar com spoiler - se bem que o filme é tão conhecido que não acredito fazer muita diferença)

Freddy é um jovem que está em seu primeiro dia de trabalho em um armazém de itens hospitalares (e coisas relativas, como objetos usados em aulas de medicina, por exemplo). Frank, seu supervisor, está lhe mostrando como as coisas funcionam por lá, até que o garoto (que está achando aquilo tudo muito estranho) pergunta qual foi a coisa mais estranha que ele já tinha visto por lá. Frank vem com uma história "maluca" sobre mortos que voltaram a vida, e conta que anos antes uma experiência científica feita a mando do exercito americano tinha saído do controle e gerado uma substância capaz de fazer coisas mortas voltarem a vida, o gás trioxina e, que isso teria gerado o famoso filme "A noite dos mortos vivos"... Alguns tambores contendo defuntos e o tal gás tinham sido entregues naquele galpão por algum erro do setor de entregas do exercito.

O rapaz acha tudo uma grande piada, até que Frank pergunta se ele quer ver os tais tambores! Poxa, depois de já ter visto esqueletos, cachorros pela metade e até um defunto inteiro que seria usado em aulas de anatomia, ele topou!
Mas o que eles não imaginavam é que, acidentalmente abririam o tambor contendo o tal gás militar e que seriam atingidos por ele. O gás se espalha pelo galpão e ressuscita o cadáver que estava na sala refrigerada! Desesperados, chamam o dono do galpão, Burt, que também fica desesperado! Lembram do filme de Romero e tentam "matar" o zumbi quebrando seus miolos... mas não acontece nada. Cortam a cabeça fora... e nada, as duas partes continuam mexendo desesperadas! Mesmo depois de picado em vários pedaços, o corpo morto ainda vivia!!! Burt, tem a ideia de levar o corpo no necrotério ao lado do galpão. O dono era um velho amigo seu e lá, eles sabiam, tinha um crematório. Pensavam que, dessa maneira, resolveriam o problema. O que eles não imaginavam é que a fumaça da cremação se mistura a chuva que começa a cair e vai parar no cemitério ao lado!!! E ai... isso mesmo, os mortos voltam a vida!!!

Paralelo a isso tudo, um bando meio punk de amigos de Freddy resolve esperá-lo pra lhe dar uma carona. Mas como chegam bem antes do horário (ele só sairia 22h naquele dia), a turma fica esperando no cemitério! A moçada toca o terror!!! (sobretudo uma maluquinha de cabelo vermelho que resolve arrancar a roupa e fazer dancinhas sensuais). E... bom, quando a chuva começa e os mortos levantam das tumbas... claro que eles também terão sérios problemas.

Freddy e Frank que são atingidos diretamente pelo gás, morrem - mas permanecem vivos! Como estão passando mal, Burt chama uma ambulância com paramédicos para tentar socorrê-los... Quando eles chegam, começam a examinar os dois e ficam perplexos: eles não tem pulso, estão gelados, as pupilas não dilatam... ou seja, estão tecnicamente mortos! Ao tentar ir embora daquele lugar estranho, os paramédicos são atacados pelos defuntos sedentos de miolos.
Pois é... miolos!!!

Ao examinar uma cadáver (quer dizer, um pedaço de uma cadáver), o embalsamador Ernie, que conhece sobre o processo de decomposição dos cadáveres, resolve examiná-la para tentar entender o problema que estão enfrentando. Ela lhe conta que sentem muita dor, muita mesmo (afinal, sentem seus corpos continuarem a se decompor... e que a única coisa que faz essa dor parar são miolos de vivos!!!).
Nessa altura, Freddy e Frank já estão em estado bem avançado... é preciso ficar longe deles!
É difícil ficar longe dos mortos-vivos, afinal de contas, nada os detém.
Depois de muito esforço, Burt consegue voltar ao galpão e enfim chamar um número de telefone que deveria ser usado imediatamente em acidentes com o tal material (mas eles ficaram com medo de serem processados pelo exército, enfim...). O número é encaminhado para um figurão do exercito que dá um comando para um soldado. O comando: destruir aquele lugar todo... sem deixar ninguém pra contar a história!!!!!
E ai: buuum!!!
E fim do filme!

O filme de O'Bannon dá uma repaginada nos zumbis de Romero. Eles não andam devagar com os braços esticados para frente, mas correm atrás de suas presas. Os mortos conseguem falar e se comunicam com os vivos (é hilária a cena em que, depois de comer os miolos dos paramédicos, um zumbi fala no rádio para que mandem mais médicos!!! E depois de comer miolos de policiais, também pedem mais policiais!!! hahahahahaha). Ah, os zumbis de O'Bannon só querem cérebros... o resto do corpo não os interessa! (diferente dos zumbis de Romero).

Esse é um filme muito bom! Muito mesmo! Imperdível para aqueles que gostam do gênero (sobretudo histórias de zumbis). Vale a pena ver (ou rever, como eu fiz - dá pra achar uma cópia dublada no youtube, dividida em 6 partes de 15 minutos) - não sei vocês, mas eu adoro rever os clássicos dos anos oitenta dublados!!! (Eu particularmente detesto filmes dublados, mas por ter visto esses filmes pela primeira vez dublados em fitas VHS, eu acho bacana! Nostalgico... mas bacana!)

Algumas sequencias desse filme foram feitas. A segunda muito ruim, a terceira mediana (as outras duas ainda não vi então não posso comentar).

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A Serbian Film

Acabei de ver o polêmico e censurado "Serbian Film: horror sem limites" do diretor servio Srdjan Spasojevic.
O filme já foi exibido e até celebrado em outros países, mas aqui, o DEM (partido que se considera "democrático" o proibiu alegando que o filme pode incitar a pedofilia - já que insinua isso (não mostra exatamente, ok!) e que o veto é para proteger o direito das crianças garantido pelo ECA.
Bom, primeiro que o filme tem sim cenas bem fortes e que me deixaram de cabelo em pé e com vontade de chorar... mas de maneira alguma incita a pedofilia! Muito pelo contrário! Me fez ter ainda mais asco e ódio daqueles que gostam disso!
Outra coisa é que o filme é muito crítico (e não necessariamente sádico). Tem vários filmes por ai que mostram cenas assombrosas e que nem trazem tantas questões ao público. Muita gente vê filmes gore porque gosta de ver sangue no cinema (sem significar que a pessoa é um assassino em potencial), mas esse filme não é divertido (apesar de ter umas cenas bem absurdas que beirem o riso!). Não foi feito para ser divertido (pelo menos eu penso que não).
Creio que a censura é um abuso do poder e um regresso da democracia nesse país. E o mais engraçado nesse Brasil é que libertamos um certo mal caráter estrangeiro (que tem inclusive acusações de ter abusado de um garoto de 14 anos) e os políticos do DEM acham normal. Ou seja, pedofilia na vida real pode e na ficção não?
E repito, o filme não faz de forma alguma apologia a isso. Se alguém acha que faz só pode ser porque leu em algum lugar que essas cenas existem ou no máximo viu algum trailer ou trecho. Vendo o filme todo não tem como ter essa percepção.


O filme conta a história de Milo, um ator pornô que largou o trabalho pra ter uma vida normal em família (ele é casado com uma linda mulher e eles tem um filho de uns 6 anos). Só que as coisas não andam tão bem. Ele está ficando sem dinheiro e a vida é bem difícil... sobretudo quando se tem que sustentar uma família.
Ele recebe então uma super proposta tentadora para voltar a atuar mais uma última vez. Um cineasta que diz fazer cinema de "ARTE" lhe oferece uma quantia exorbitante para esse trabalho. Uma quantia que não é falada no filme... mas que seria suficiente para ele ter uma boa vida e criar seu filho com muito conforto. Sua esposa concorda com a oferta e ele então assina o contrato (sem ler exatamente todo seu conteúdo).
O diretor é um cara estranho que diz querer fazer algo novo, um pornô artístico... realista, visceral.
As gravações começam, mas Milo percebe que as coisas são meio estranhas (a primeira cena acontece em um orfanato abandonado!). O diretor não lhe entrega nenhum roteiro... ele recebe um ponto eletrônico que lhe diz o que fazer ali, ao vivo... enquanto caras com câmeras de mão o seguem...
As coisas vão ficando cada vez mais estranhas, até que Milo desconfiado pede que um amigo seu pesquise quem é o tal diretor (que já começa a parecer insano aos olhos de Milo).
Ele questiona o trabalho do diretor e diz que não pode fazer aquilo mais... Só que Milo não tinha a exata ideia de quem eram aquelas pessoas e o que estavam tramando exatamente.
É drogado por uma suposta médica da equipe e, quando está tentando ir embora para casa, largando aquilo, apaga. Acorda 3 dias depois em sua cama, em sua casa... sujo de sangue.
Ele não encontra sua esposa e seu filho e fica desesperado para encontrá-los e descobrir o que aconteceu.
Afe, ai a coisa realmente começa a ficar feia!
Ele vai tendo alguns flashes de lembranças... e percebe as coisas tenebrosas que fez sem ter consciência. Além disso encontra algumas fitas com as filmagens e assim vai ligando as peças do que aconteceu tanto com ele como com sua família.




Tenso.


Não vou contar mais para não cair em spoilers. O fato é que esse é um filme de difícil digestão. Não é, definitivamente, um filme para se divertir com a galera!


O diretor nos mostra o quanto pessoas podem fazer coisas absurdas por dinheiro e por puro sadismo.  "Este é um diário de nosso próprio molestamento pelo governo sérvio. Estamos pagando na mesma moeda", disse o diretor em uma de suas entrevistas. Pra ele seu filme é um tipo de protesto contra a censura que existiu na Sérvia por tanto tempo. 


Se eu gostei do filme?
Não sei dizer... A história eu achei muito boa! Mas, como já disse anteriormente, é um filme tenso, de difícil digestão. Acho que foi o primeiro filme gore que eu vi que tive vontade de chorar... Ele tem muitas cenas fortes com muito sexo,  sangue e violência (mas nada que um "Albergue" ou "Jogos Mortais" da vida não tenha).
Claro que certas cenas são tristes e chocantes (mas não são mostradas exatamente)... 




Fico pensando, eu que sou Historiadora da Arte, o que é arte. O diretor do filme (o personagem) diz que o que está fazendo é arte... eu passei o mês de julho todo estudando arte contemporânea e vi muitas coisas estranhas e até absurdas aos olhos de alguns... Artistas que se mutilam, que tatuam outras pessoas para realizar seu trabalho, que maltratam e/ou matam animais em nome da arte... Mas o que o filme mostra é demais. Certamente Srdjan Spasojevic (o diretor do filme) também nos faz questionar até onde a arte pode ir. Qual é o limite de um artista?
Oscar Wild certa vez disse que "não há artista doentio. O artista pode exprimir tudo". Será?
Será que realmente pode TUDO na arte?


E a arte de Srdjan Spasojevic? "A Serbian Film" é arte?
Em seu filme metalinguístico (um filme dentro do filme) ele nos faz questionar a arte (e outros valores, claro)... Provavelmente imaginou que sua obra também receberia tamanho questionamento.


Bom... apesar de censurado, claro que tem muita gente (como eu) que já viu o filme. A censura acaba sendo uma propaganda gratuita e um incentivo à pirataria. Hoje em dia todo mundo sabe que é possível encontrar e "baixar" filmes da rede... e é claro que não seria diferente com esse (sobretudo porque ele não foi censurado na maioria dos lugares! Como disse, chegou até a receber prêmios).




Se vale a pena ver: depende.
Se você tiver uma cabeça boa... se você tiver estômago... se você realmente gosta do gênero: sim. Se você achou o sadismo de "o albergue" demais pra você, por exemplo, é melhor deixar quieto... Mas já vou avisando: fizeram muito barulho, mas nem é tão assustador assim!!!


Mas como disse... terá que "baixar" da Internet (você conseguirá encontrar o filme com legendas em inglês com facilidade... bom, eu não entendo sérvio... então sem legenda não dá! hehehehehe. Não encontrei com legendas em português - mas não duvido que alguém já tenha feito isso e colocado na web!)


O que não pode é proibir... isso me dá mais nojo do que certas cenas do filme. A hipocrisia e a falta de caráter de muitos políticos desse país me agride mais que o filme de Srdjan Spasojevic....

terça-feira, 19 de julho de 2011

O Exorcista - o início

Esses dias eu vi na tv o filme "O Exorcista, o início"... apesar de ser muito fã do filme original, de 1973 nunca tinha visto esse que se propõe a explicar como padre Merrin encontra o demônio pela primeira vez.

Este filme de 2004 dirigido por Renny Harlin (de "A hora do pesadelo 4: o mestre dos sonhos" e "O pacto", entre outros) e com roteiro de William Wisher Jr e Caleb Carr (baseado nos personagens criados por William Peter Blatty - que escreveu o romance e o roteiro de "O Exorcista") não é um filme do tamanho ou da importância do primeiro, mas ainda assim tem alguns elementos que fazem dele digno de ser visto por aqueles que gostam de filmes de terror.
Como se trata de um prólogo de um dos maiores filmes de terror de todos os tempos, seria realmente muito difícil agradar a todos. Mas repito, vale a pena sim!

Em "O Exorcista" vemos o embate de Marrin já idoso, junto com o jovem padre Karras, contra o demônio Pazuzo que tinha se apossado do corpo da menina Regan. O demônio já conhecia Merrin e pede que o chamem... mas, ficava a dúvida de onde, quando e como eles se conheceram.


O filme "O início" tenta responder essa questão. Somos levados à 1949. Merrin tinha deixado a batina, era agora somente um arqueólogo (como ele mesmo diz em determinado momento, ele estava mais interessado nas provas físicas e materiais do que na fé). Vivia no Cairo, Egito e era assombrado por pesadelos do que viveu na segunda guerra. Foi obrigado, por nazistas, a escolher dez pessoas para morrerem... se ele não fizesse isso, todos morreriam. Isso abalou demais aquele homem e fez com que perdesse sua fé. O soldado disse a ele, naquele momento "Deus não está aqui hoje, padre!" (frase que será repetida pelo demônio).
Merrin é convidado por um colecionador de antiguidades para participar de uma expedição no Quênia, numa remota região próxima à tribo Turkana. A região ainda era uma colônia sob o domínio militar inglês. Seu objetivo seria resgatar um artefato que poderia estar enterrado em uma misteriosa igreja descoberta em um sítio arqueológico.
Pois é, super misteriosa mesmo! Essa igreja estava totalmente enterrada... e eles queriam descobrir o motivo disso tudo (já que era bastante difícil encontrar igrejas desse tipo em regiões tão distantes de Roma).
Merrin é recepcionado pelo jovem padre Francis, que tinha sido enviado pelo Vaticano para estudar e investigar a tal igreja e, por Chuma, um nativo que serviria como intérprete.
Lá na aldeia ele conhece uma série de personagens que vão participar dos acontecimentos: por exemplo, o arrogante Jeffries, inglês líder das escavações; um nativo (que eu não lembro o nome, sorry!) que tem dois filhos pequenos, e que oferece sua casa como hospedagem e, claro, a médica Sarah - que está lá em missão humanitária (e que tinha passado por um campo de concentração)
O clima é bastante turbulento, já que os nativos não gostam da ideia de escavar aquele lugar. Eles dizem que é maldito e que as pessoas estão morrendo por que os ingleses estão mexendo onde não deviam. Há também o fato de que os nativos não estão contentes com a falta de liberdade imposta pelo domínio inglês: ou seja, o lugar é uma espécie de barril de pólvora!
Quando Merrin consegue entrar na igreja enterrada, descobre sinais de profanação. A cruz, por exemplo, tinha sido quebrada e colocada de cabeça para baixo (além de estranhas ilustrações em suas paredes). Também descobre uma misteriosa galeria subterrânea, onde encontra um local utilizado para sacrifícios humanos (é a primeira vez que vemos a escultura do demônio que aparece no filme "O exorcista"). Busca mais informações sobre o lugar e pergunta sobre o antigo arqueólogo que coordenava as escavações e descobre que ele tinha enlouquecido depois que entrou lá. Ele estava internado em um sanatório em Nairobi, dirigido pelo Padre Gionetti. O padre conta a Merrin o que realmente está acontecendo lá, e vem com um papo de que quando Lúcifer, que era um anjo, caiu... foi lá! Entrega para Merrin um livro de exorcismo e diz que ele vai precisar... Merrin diz que não é mais padre, mas Gionetti diz que ele precisa ser. A partir dai a coisa começa a esquentar!


O tal arqueólogo que enlouqueceu, se mata (e diz que está se libertando). Um dos meninos (filho do nativo que esqueci o nome) é atacado (e destroçado) por um bando de hienas (e o outro não! o que faz com que os nativos pensem que ele está tomado pelo demônio). O filho do líder Turkana nasce todo coberto de vermes e desfigurado (e morto). Também temos várias outras cenas fortes, incluindo um corpo pendurado na igreja, em decomposição, sendo devorado por corvos... e, claro, o embate entre Merrin e o "coisa ruim"! Ele precisa encontrar dentro de si a fé que tinha perdido para poder lidar com tudo aquilo... precisa voltar a ser o "padre" Merrin.
E, realmente, num momento de desespero, busca Deus e o encontra!


Bom, acho que o filme é um tanto politicamente correto - como a maioria dos filmes que trazem o demônio como vilão da história! É uma forma de dizer que Deus é a salvação e que mesmo que pequemos (percamos nossa fé, caiamos em tentação) ainda poderemos ser salvos se nos arrependermos de nossos pecados e acreditarmos em Deus! (As vezes penso que esses filmes deveriam ser exibidos em igrejas, pois são grandes exemplos de publicidade pró Deus!)

Gostaria de enfatizar uma ousadia desse filme: a morte do molequinho pelas hienas!!! Uau! Primeiro porque a cena é muito boa, segundo porque é uma criança! Geralmente as crianças não aparecem sendo mortas nos filmes de terror... e nesse, elas aparecem! - Falei no plural porque também tem uma menininha que é assassinada friamente por um soldado nazista na frente de Merrin na segunda guerra (cena que ele sempre revê em seus pesadelos).


Agora, fala sério... a maquiagem acima é muito ruim!!! Eles quiseram imitar o rosto desfigurado da pequena Regan, mas acho que ficou péssimo!!!

Enfim, vale a pena a pipoca! Não é nenhuma maravilha sensacional... mas vale a pena!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Filmes já comentados - I

Vou colocar aqui uma lista com os filmes que já comentei aqui no blog (com links) - em ordem alfabética.


Arraste-me para o inferno
Atividade Paranormal
Carrie, a estranha
Casa de Cera, A
Chave Mestra, A
Cisne Negro
Deixa ela entrar / Deixe-me entrar
Devil
Exorcista, O
Garota Infernal
Halloween
Hora do Espanto, A
Hora do Pesadelo, A (1984)
Hora do Pesadelo, A
Hostel
Iluminado, O
Lobisomem
Orphan
Pânico 4
Poltergeist
Psicose
Pulse
Saw (Jogos Mortais)
Sexta-feira 13
Último exorcismo, O

Por enquanto foram 25 filmes!
E ainda tem vários que estão na minha listinha pra rever e escrever por aqui.

Carrie, a estranha

Em época em que tanto se fala do tal bullying (confesso que esse assunto já me irritou!), não tem como não relacionar com a história da garota Carrie White criada por Stephen King. Já foram feitos dois filmes baseados no livro: um, o mais famoso, de 1976 (com Sissy Spacek e John Travolta no elenco) e um de 2002 (com a loirinha que participou como Claire em Lost, Emilie de Raven). O primeiro, de 1976 foi dirigido pelo prestigiado Brian de Palma, o segundo por um desconhecido David Carson (que atuou em "Pague para entrar, reze para sair").

 

Bom, confesso já de início, que gosto dos dois filmes. Cada um tem seus pontos positivos.
A versão de 2002 foi modernizada, a história foi trazida para os tempos atuais (bom, já não tão atuais assim!). O elenco é jovem e bonito (com exceção de Carrie, que é bem feiosa, coitada!). O clima do filme lembra aqueles seriados jovens! Acho que fez sentido, já que o apse do filme acontece em um colégio de ensino médio. No elenco do filme mais antigo, por mais que a história se passe também num colégio, os atores me parecem mais velhos! Sei lá, talvez seja só impressão minha.
A história de King fala da garota Carrie White que tem uma mãe maluca fanática religiosa. As duas vivem só, e a mãe não quer permitir que Carrie se aproxime das outras pessoas. Quer que ela se mantenha pura, sem se meter com os pecados e com a imundice que assola a mocidade! Mas com isso ela só consegue que sua filha se transforme em um ser absolutamente estranho. Ela se veste de modo estranho, se comporta de modo estranho, e não se socializa com os outros jovens de sua idade. Com tudo isso, claro, a pobre Carrie sofre com brincadeiras (o tal bulliyng). Só que Carrie é uma garota com poderes paranormais. Ela consegue mover objetos e fazer coisas que não entende exatamente.
A coisa começa a esquentar quando Carrie fica menstruada, um dia na escola, no chuveiro, depois de uma aula de educação física. Ela não fazia ideia que aquilo aconteceria com ela, não sabia nada a respeito (sua mãe não a tinha contado por achar que a menstruação era um castigo de Deus, e por pensar que como criava sua filha para não ser pecadora, ela não seria amaldiçoada com isso). O fato é que a menina pensa que está morrendo e fica desesperada! As outras meninas que já eram menstruadas (ou pelo menos sabiam o que era aquilo) zoam Carrie e ficam gritando pra ela!!!
A professora de educação física da escola fica puta com as meninas e acolhe Carrie, explicando pra ela o que estava acontecendo. Volta a falar com as garotas e as ameaça! Uma delas, Chris, a bonitinha e popular da escola, acha um absurdo ser repreendida e não aceita o castigo. Com isso, o que ela ganha é a proibição de ir no baile do colégio (que estava próximo).

Uma das garotas fica arrependida, e pede para que seu namorado convide a pobre Carrie para ir ao baile. Só que Chris tem um plano para acabar com Carrie, já que ficou absurdamente brava por ter sido impedida de ir ao baile.
Planeja com seu namorado (Travolta, na primeira versão) e outro amigo matar um porco para pecar seu sangue e vísceras, para jogar sobre Carrie, para ridicularizá-la na frente de todos. Para isso, ela teria que ser eleita a rainha do baile (e, claro, Chris daria um jeito de trocar as cédulas dos votos, para ter certeza de que isso aconteceria).


Bom, Carrie vai ao baile, é coroada rainha e... claro, o plano de Chris funciona certinho! O que ela (e ninguém mais ali presente) imaginava é que Carrie tinha poderes paranormais. Cheia de cólera, Carrie começa a destruir o ginásio! Fogo, objetos voando... e claro, muita gente morrendo!
Parece que nada conseguia conter a fúria de Carrie.
Ah, ela também mata sua mãe (e confesso, dá uma sensação boa de alívio! afinal, se Carrie era estranha, se tudo tinha chegado até aquele ponto, a culpa era dela!).

Tenho um pequeno comentário sobre as atrizes que fizeram Carrie. No primeiro, Sissy Spacek é uma Carrie muito bonita! Não faz tanto sentido. A atriz tinha que ser mais feia. Ela fica linda no baile, mas o contraste não é tão grande. No segundo, Angela Bettis é uma Carrie feia pra caramba! ok, que legal! Mas no baile ela não fica linda! Continua feia! hahahahahaha! Acho que ela tinha que ter ficado mais bonita no baile! (é que estou pensando no livro. Nele, a personagem é bem feia, mas no baile ela fica linda - bem aquele esquema de menina feia porque não se arruma, mas quando se arruma fica linda e chama a atenção de todos!).
As atuações de Sissy Spacek e Piper Laurie (como sua mãe) no filme de Brian de Palma são sensacionais!!!



Ah, o filme de 2002 foi feito diretamente para TV (como outras histórias de Stephen King).

Então, nenhum dos dois filmes é assustador! Não chegam a ser exatamente terror (daqueles de dar medo, de ficarmos presos na poltrona... tensos, nem de dar vontade de fechar os olhos para não ver certas cenas!). Carrie é classificado como Terror, mas como disse, é tranquilo! O mais bacana é realmente a questão do sobrenatural!
Pra mim este é um filme triste. Mais do que me assustar, me deixa triste. Triste pela Carrie. Triste por saber que tem vários pais malucos que estragam a vida de seus filhos. Triste por saber que tem muitos adolescentes maus, que são capazes de muitas crueldades... Tá cheio de Carries por ai (sem os poderes paranormais, creio eu)... e o pior é saber que também tem muitas "Chris" e muitas "Margaret White"...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Sexta-feira 13

Hoje resolvi rever o primeiro filme da super longa série de terror Sexta-feira 13. Faz tanto tempo que vi pela primeira vez que nem me lembrava mais dos detalhes.

Esse é o primeiro filme que trouxe a história de Jason Voorhees, de um dos maiores vilões de filmes de terror. Confesso que não sou tão fã de Jason, gosto mais do estilo de Freddy Krueger (de "A hora do pesadelo) e de Michael Myers (de "Halloween). Ainda assim, esta é uma série que deve ser respeitada pelos fãs do gênero. Nem todos os filmes da série são bons, alguns eu diria que são ruins... mas de maneira geral, Jason é Jason!!!


Pra quem já viu algum dos filmes da série, mas não o primeiro (de 1980), a história é a seguinte (bom, provavelmente colocarei alguns spoilers... mas como se trata de um filme já histórico, não acho que seja um problema!)
O filme começa em uma noite de 13 de junho de 1958. Somos levados até o Acampamento Cristal Lake (um daqueles acampamentos, como os que temos também por aqui... com atividades de férias pra criançada). As crianças já estão dormindo e um grupo de monitores está cantando canções super típicas de acampamentos (inclusive, quando eu era monitora em um, nós cantávamos uma versão da mesma música!!!) Eis que um casal resolve sair de fininho pra namorar. Mas quando estão quase nos finalmentes, alguém conhecido (mas que não nos é revelado) os surpreende e os mata. Sabemos que os jovens conheciam a pessoa porque eles falam com ela, tentando explicar que não estavam fazendo "nada"!
O tempo passa e somos levados ao tempo presente (bom, presente pra época que o filme foi feito - logo este presente é 1979).
Uma mocinha aparece com uma mochila enorme. Ela está indo pro acampamento Cristal Lake. Foi contratada para cozinhar. Ao parar na cidade para perguntar como chegar até o acampamento, ouve várias histórias de que aquele lugar é amaldiçoado, que é um lugar sangrento, azarado... Ainda assim, a mocinha (que diz que não acredita em fantasmas) ignora todos os avisos e resolve ir pra lá.
Na verdade ela nem chega lá, pois é encontrada pelo assassino (ela pega uma carona com ele, sem saber o que a esperava).
Então conhecemos os outros jovens (vítimas) que estão no acampamento. Steve Christy está tentando reabrir o local, e pra isso contratou alguns jovens monitores para ajudá-lo nos últimos retoques. Ele também não ouviu os avisos, e insistia que seria um ótimo negócio reabrir Cristal Lake.
Os jovens vão morrendo um a um... Como o local é grande e uma chuva torrencial começa a cair por lá, demora bastante pra última sobrevivente (Alice) perceber que os outros estavam mortos.
Então o vilão nos é apresentado (sim, isso mesmo! Nesse primeiro filme nada de maluco com máscara de  hóquei. Quando as mortes acontecem, vemos da perspectiva do assassino, com seus olhos! (algo que já tinha sido feito em Halloween, bem no começo do filme é, de certa forma, imitado neste).


Mas quando só sobre Alice, somos apresentados ao vilão. Ou melhor... à vilã! Isso mesmo, pra quem não sabe, no primeiro filme, Jason não mata ninguém. Quem mata é sua mãe Pamela Voorhees.
Ela conta pra Alice que em 1957, um menino tinha se afogado no lado por descuido de dois monitores que, ao invés de olhar as crianças, estavam namorando. Ela conta que aquela criança era seu filho Jason.
Ela nos conta que foi ela quem matou os dois jovens em 1958... e que matou esses de agora também!
Acontece então uma  perceguição típica dos filmes de terror. A mocinha, ao invés de correr pra estrada e tentar fugir dalí, fica se escondendo por lá mesmo, dentro das cabanas! Além disso, demora pra perceber que os vilões sempre voltam! Mas no fim ela aprende... e consegue cortar a cabeça de Pamela fora!
Entra em um caiaque e acaba adormecendo. Nisso Jason surge da água e a derruba do barquinho. Mas nisso acorda em um hospital. Era tudo um pesadelo (tudo médio, só a parte que Jason a derruba do barco). Aparentemente atormentada, ela pergunta pelo menino, mas o policial diz que não tinha menino nenhum... que eles não encontraram nenhum menino. E ela diz que então ele continua lá!



Bom, essa é a história.
Sean Cunningham (diretor do filme) chegou inclusive a dizer que, a princípio, não existia a ideia de transformar Jason no vilão. Isso acabou vindo depois que esse filme fez muito sucesso.
Eu gosto desse filme, mas acho que ele não consegue manter o suspense como Halloween, por exemplo (que é quase da mesma época). A trilha sonora me parece uma imitação da trilha de Psicose (com batidas bruscas). Eu gosto muito do texto de Victor Miller, mas acredito que faltou um pouco de brilhantismo pro diretor.
Mas ainda assim é um bom filme. Tem cenas de mortes boas (uma das minhas preferidas é a de Jack - interpretado por um joven Kevin Bacon). O machado na cabeça de uma das meninas também é bem legal!



Um clássico. Vale a pena! (mas acho que gosto mais da parte 2 - preciso rever e ai conto pra vocês).