quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Anticristo

Já faz algum tempo que eu queria escrever sobre esse filme... Sempre faltava palavras. Não que agora eu tenha decifrado todo o enigma de Lars Von Trier, mas quero tentar.
Gosto muito desse cineasta maluco detestado por muitos. O primeiro filme seu que vi foi o musical "Dançando no escuro". Não sabia nada sobre ele, mas fiquei curiosa porque o filme tinha a cantora Bijork no elenco. Foi uma experiência traumática, mas ao mesmo tempo sensacional. Chorei como nunca tinha chorado antes vendo um filme. Precisei de um tempo para conseguir me acalmar depois que o filme acabou. Ao invés de fugir do cineasta, resolvi conhecer um pouco mais sobre ele e me surpreendi ainda mais.
Pra tentar entender um pouquinho mais de Lars Von Trier, é preciso primeiro saber que ele participou de um movimento artístico cinematográfico nos anos 90 chamado "Dogma 95", que surgiu em Copenhage, Dinamarca. Basicamente, eles buscavam um cinema mais realista e crítico e menos comercial. A cena deveria ser gravada sem efeitos especiais, os sons deveriam ser diretos e a câmera seria conduzida pelo próprio cineasta. Algo parecido aconteceu anos antes no Brasil, com o movimento chamado Cinema Novo, que teve Glauber Rocha como um de seus principais representantes. Glauber dizia que para se fazer cinema era necessário apenas uma "ideia na cabeça e uma câmera na mão".

Lars Von Trier não seguiu a risca o Dogma 95 por muito tempo, mas algumas dessas ideias ainda podem ser vistas em seus filmes que trazem muitas reflexões ao público. Ou seja, aqueles que encaram o cinema apenas como diversão e entretenimento devem passar longe de suas produções.

Mas vamos a Anticristo. Certamente terão spoilers no texto... além de algumas opiniões pessoais!


Mais uma vez o diretor divide a obra em capítulos ("Luto", "Dor", "Desespero" e "Os três mendigos"), mais um prólogo e um epílogo. O enredo em si é simples: um casal perdeu um filho e a esposa não aceita. Sente-se culpada. O marido, um terapeuta, decide ele mesmo tratar da esposa.
O que faz do filme tão denso é o modo como as cenas são realizadas, são os detalhes, os símbolos que ele apresenta que nos fazem pensar em razão, religião, moral...

No prólogo, filmado em preto-e-branco, com uma trilha sonora espetacular (Ave MAria de Händel) e cenas em câmera lenta, vemos o casal fazendo sexo de forma intensa e poética. Sim, isso mesmo: poética. Apesar das imagens serem bem explícitas, não é vulgar - isso, claro, pelo medo como foi filmada. Paralelo a isso, vemos a criança escapando do berço e indo em direção da janela. O menino cai enquanto os pais têm um orgasmo. Lindo e trágico.
Em seguida somos submetidos ao velho estilo Lars Von Trier de filmar: câmeras que "balançam", só o som da cena, sem efeitos (com alguns momentos de cenas mais artísticas, sempre simbólicas).


A loucura dessa mulher por sentir-se culpada pela morte do filho (lindamente mostrada no prólogo) vai a consumindo e é isso que vemos na tela, misturada a tentativa do marido em encontrar uma solução e a esposa não resistindo à culpa.
Em sua pesquisa, o marido procura descobrir o que a esposa teme, para que ela aprenda a lidar com o medo. Descobre que o que ela tema é a natureza, assim eles vão para uma cabana no meio da floresta chamada por eles de Éden. Lá, no meio da natureza, longe da civilização, isolados de tudo, a mulher começa a ficar cada vez mais violenta. Seria fruto da loucura ou de sua natureza maligna?

Alguns meses antes, ela tinha estado ali em Éden para tentar escrever sua tese. A criança esteve com ela durante esse tempo. Ela pesquisava sobre o sofrimento das mulheres medievais que eram acusadas de bruxaria, torturadas e mortas, muitas vezes, só por serem mulheres. Mas ao longo de sua pesquisa, ela chegou a conclusão de que talvez as mulheres realmente fossem realmente más: naturalmente malignas.
Em um momento do filme ela diz que é "a natureza que controla a mulher". Sendo assim, ela poderia não estar só enlouquecendo, mas despertando sua verdadeira natureza.
Outra questão que tem relação com isso, é o furor que essa mulher tem pelo sexo. Ela quer e quer sexo. Ele, em um momento, pede para que ela se afaste, pois precisa conseguir vê-la como uma paciente, mas ela não consegue resistir.

O sexo, para a igreja (que queimava as mulheres na idade média) é pecado. No filme, é a mulher que sempre vai atrás do marido pelo sexo. É ela a pecadora, a "Eva" que come a maçã, que não resiste à tentação. É durante o ato sexual que a criança morre. Além disso, a castração (baita cena forte, inclusive!) dos dois é algo que vem como a punição: ela não quer mais sentir prazer, já que o prazer é o que a torna pecadora. Foi pelo prazer que ela deixou o filho morrer (sim, há uma cena de flash back que insinua que ela viu o menino caminhando para a janela e não fez nada).
A mulher, é a que carrega o pecado (não vamos esquecer que o cristianismo, religião que domina o mundo ocidental, você goste ou não, é uma religião extremamente magista. Foi Eva, uma mulher, quem comeu a maçã. São as mulheres que são fracas, impuras e inferiores - não estou inventando nada... muito disso que disse está escrito na Bíblia). A mulher do filme nem tem nome. É "A" mulher.


O título do filme faz com que algumas pessoas pensem que se trata de um filme sobre possessões, sobre "o" anticristo. Mas notem que o título não tem o artigo. É apenas Anticristo.
Uma ipótese é que o tal anticristo é a natureza - tanto a natureza em sim: plantas, animais... como a nossa natureza humana pecadora.
Também pode ser uma postura ideológica do autor. Quem sabe um manifesto contra o cristianismo (sobretudo ao cristianismo opressor, machista, preconceituoso e manipulador).
Além disso, não podemos esquecer que Lars Von Trier é filho de ateus e que aos 12 anos ganhou de seus pais um exemplar de "O Anticristo" de Nietzche: uma declaração contra o cristianismo. Talvez o filme seja antirreligioso... tentando dizer pra gente que sexo não é pecado e que a mulher não é impura. E que é esse sentimento de culpa cristão o grande responsável por tantas tragédias.

O que acho meio estranho é que, até onde sei, Lars Von Trier se converteu ao cristianismo. Será que essa "conversão" faz parte de algum plano de parecer ainda mais polêmico?

Em entrevistas, ele contou que fez esse filme para se livrar de uma depressão (e ai resolveu passá-la pro público!) e que, por isso, considera o filme, um dos momentos mais importantes de sua vida e, o mais importante de sua carreira.

A atriz inglesa Charlotte Gainsbourg recebeu a Palma de Ouro em Cannes (2009) por sua ótima atuação - poxa, esse diretor realmente sabe fazer as atrizes renderem (várias outras atrizes de seus filmes receberam o mesmo prêmio).

Enfim, esse é um filme que deve ser visto. Muitos amaram, muitos odiaram. Acho bastante triste e até deprimente... mas bonito. É confuso dizer o que sinto por esse filme. Pra mim ele é lindo, poético, mas triste e deprimente. Me deixa triste. Mas eu gosto... porque me faz pensar na vida, na natureza humana, nos meus valores.
Acho que sempre vale a pena ver os filmes desse diretor maluco. Porque sim, ele é bem maluco, mas não podemos negar que o que ele faz é arte (lembremos que, nem sempre entendemos as obras de arte contemporâneas, mas elas sempre tem muuuuitas coisas pra nos dizer).

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A pele que habito

Estive algum tempo longe do blog, vi vários filmes desde o último post e resolvi aproveitar para colocar as coisas "em dia".
Resolvi começar pelo esperado (por mim, pelo menos) "La piel que habito", de meu amado Pedro Almodóvar.


Este não é exatamente um filme de terror, mas assim como "Cisne Negro" trata de temas que levam ao medo.
Este é o último filme do (amado) cineasta espanhol Pedro Almodóvar (de "Má Educação", "Volver", "Fale com ela", "Tudo sobre minha mãe" entre outros). É a primeira vez que o cineasta caminha por caminhos mais sombrios. O drama familiar, a dor, a morte... sempre estiveram de uma forma ou outra presentes em seus filmes, mas agora ele desce mais ao fundo do abismo do medo.


Inspirado no romance francês "Tarantula", de Thierry Jonquet (de 1984), esse é um filme espetacular.
"A pele que habito" conta a história do cirurgião plástico Robert Ledgard (Antonio Bandeiras), obstinado a construir uma pele pefeita, capaz de suportar a dor e, sobretudo o fogo (que tinha acabado com a vida de sua esposa anos antes). O médico realiza seus experimentos em uma moça chamada Vera, que vive em sua casa presa a um quarto. A princípio nos parece que o filme trata apenas de um "Dr. Frankenstein" moderno que faz suas pesquisas sem se preocupar com a ética médica. Mas as coisas são muito, muito mais complexas.


A história vai indo e vindo no tempo e vamos conhecendo outros personagens do drama. Descobrimos o que aconteceu a esposa do Dr. Ledgard e também à sua filha. Descobrimos quem é Vera e porque ela está naquela casa... descobrimos que Vera é "a cara" da esposa morta do médico, e que isso não é uma coincidência... que Marília, a empregada é bem mais que isso... e que apesar de passear por um novo estilo cinematográfico, Almodóvar não deixa de discutir a sexualidade, os segredos, os jogos de poder, o kitsch, os tabus sociais...

Almodóvar está um pouco menos colorido, mais ainda assim usa cores fortes (o que podemos dizer do sangue super vermelho?)... A mansão em que vive o médico é repleta de obras de arte (todas com cores quentes, intensas) - incluindo uma obra da brasileira Tarsila do Amaral ("Paisagem com ponte")


Não sou uma expert no assunto, mas acho que o cineasta espanhol se inspirou muito em Hitchcook para fazer este filme (sobretudo em "Um corpo que cai", de 1959, que merece um post aqui no blog) e também no filme francês "Olhos sem rosto", de 1960 (outro que precisa um post) de Georges Franju. São filmes que falam de obsessões... nos três filmes, o personagem principal são capazes de tudo (tudo mesmo) para recriar a alguma maneira o objeto (uma mulher) dos seus desejos. Bom, não coloquei "objeto" de propósito. Mas não vejo semelhanças só no tema, mas no como as ações cênicas são desenvolvidas.

Enfim, este é um filme incrível. Eu que sou fã de Almodóvar digo que foi um alívio delicioso - já que não gostei do último antes desse ("Los abrazos rotos").

Não quero contar a história em detalhes para guardar o suspense.

Ah, pra quem gosta de filmes de terror cheio de sangue e mutilações, este não é um bom filme. Mas para quem gosta de suspense, tortura (psicológica, sobretudo) e até crueldade, é uma excelente opção!

E inclusive, escrever isso aqui me deu vontade de rever o filme!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Atividade Paranormal 1, 2 e 3.

Esses dias fui no cinema ver Atividade Paranormal 3. Tinha lido críticas boas e resolvi conferir.
Bom, começo dizendo que achei o primeiro filme uma bomba (conforme comente num post mais antigo).


Agora, decidi escrever alguma coisa sobre a série como um todo (já que pulei o 2).


Depois de ver AP2 e AP3, confesso que achei a ideia interessante. Tem seus problemas, mas é bacana.
No primeiro filme, Micah me dava nos nervos. Sua mania de filmar tudo era absurdamente falsa e não conseguiu me convencer em nada, mas nos outros dois filmes as câmeras não são tão forçadas, e além disso também tem o fato de que se a pessoa não leva a câmera, não saberemos o que está acontecendo... ou seja, existe uma certa "licença poética"! hahahahahaha!


O fato é que no segundo, as câmeras são instaladas para proteger a casa de um suposto invasor (vândalos, ladrões...) o que faz muito mais sentido e no terceiro, as câmeras são colocadas para conferir o que está acontecendo (como no primeiro), mas Dennis é um profissional que vive de filmagens e não fica andando com a câmera o tempo todo, ele coloca câmeras em pontos estratégicos da casa.


Bom, a sequencia vai em uma crescente. Pra mim, o dois é melhor que o um e o três é melhor que o dois. Oh, que coisa rara! Mas é isso mesmo! (bom, em minha humilde opinião). Ah, tem gente que prefere o primeiro... mas é como eu disse, é só minha opinião.
Bom, vou contar com alguns spoilers... portanto, se ainda não viu os filmes, para de ler... ok! (a não ser que não se importe com spoilers).











No dois conhecemos um pouco mais sobre os personagens (as ações começam 2 meses antes do primeiro filme). Somos apresentados a Kristi (irmã de Katie - AP1). Ela é casada com Daniel, que é pai da adolescente Ali. Juntos tiveram o pequeno Hunter.
Um dia quando todos estão fora, a casa é invadida (e revirada). Eles não percebem a falta de nada (apenas de um colar que Katie tinha feito para Kristi), mas ficam amedrontados e resolvem instalar câmeras de segurança pela casa.
Coisas estranhas começam a acontecer, mas Daniel é muito sético e nem vê as imagens gravadas para ver se descobre alguma coisa. Katie e Kristi conversam sobre alguma coisa que teria acontecido quando elas eram crianças... Katie não gosta de falar sobre isso e Kristi diz que não consegue se lembrar direito, só do medo que sentia (relacionado ao filme 3), mas sente que está acontecendo novamente.


As "assombrações" vão se tornando cada vez mais intensas... Alguns sustos, algumas cenas boas!
Mesmo com tantas evidências Daniel não quer acreditar!
Até que um dia a "coisa" começa atacar a sério. Primeiro foi a coitada da cadela! Coitada mesmo! Detesto quando animais sofrem (e olha que lá nem aparece, só ouvimos!!! Isso é legal, isso é "realismo", já que a cachorra não pegaria a câmera para filmar! hehehehe). Todos acordam com os berros do animal. Daniel e sua filha vão levar a cadela que está toda estranha, quase morta até o veterinário e Kristi fica em casa com Hunter (e acontece uma das melhores cenas desse filme, quando ela tenta pegar Hunter no berço e uma força a puxa para fora do quarto e pela escada... ela tenta se desvencilhar, mas é puxada novamente para fora do quarto, com mais força... e trancada no porão). Depois disso, ela pira.


Depois de ser convencido por sua filha que a casa estava com forças malignas (ela o obriga a ver algumas imagens gravadas), ele percebe que sua esposa estava possuida por alguma coisa... ela quase o mata.


Enfim, tudo parece ter se resolvido... se acalmado depois que ele consegue pegar sua esposa (com a ajuda de uma "mandinga" que a empregada latina (a quem ele ligou pedindo socorro) tinha ensinado (ah, por falar em empregada latina, ela foi a primeira a perceber o perigo, mas ele a demitiu por isso... Ele ficou louco da vida porque, um dia, ela estava "defumando" a casa).
A "mandinga" era a de mandar o mal para outra pessoa... no caso, já sabemos para quem foi, não é mesmo?
Bom... parece que tudo tinha acabado ali naquela casa.
Vemos então uma cena entre Katie e Kristi... Katie comenta que coisas estranhas estavam acontecendo na casa dela (referência ao primeiro filme), mas Kristi a lembra de não comentar... que atrai.


Ou seja o espírito estava com Kristi, mas depois do que Daniel faz, vai para sua irmã Katie!


A licença poética nos leva até a câmera de Micah (sua nova câmera... que aparece no 1) e Katie chegando em casa.
Então o letreiro nos mostra que Micah morre dia 8 de outubro. No dia 9 de outubro vemos novamente as imagens das câmeras de segurança da casa de Daniel e Kristi. Kate aparece ensanguentada (o que realmente apaga a ideia que eu tinha achado melhor do primeiro filme, de que ela se mata... ops, contei! E assume a versão dos cinemas - a do susto - ela joga o corpo de Micah na câmera!) vai até Daniel e ops... sobre até o quarto onde Kristi está com Hunter. Joga a irmã longe e pega o bebê.


Somos informados que no dia 12, a adolescente Ali está voltando de um passeio escolar e encontra os corpos do pai e da madrasta... mas não o de Hunter.


Bom... esse é o final da série, ok! Sim isso mesmo!!!
Para os desavisados, o terceiro filme é anterior aos outros dois... conta como as coisas começaram na vida dessas duas irmãs. Pretende, portanto, mostrar a origem do mal.


As primeiras cenas do filme se passam antes de AP1 e AP2. Kate vai visitar a irmã Kristi que está grávida. Elas encontram uma caixa que pertencera à avó, repleta de fitas VHS... muitas fitas, todas com datas e nome de cômodos. E resolvem ver. Bom, quem as vê somos nós!


Somos levados aos anos 80 (20 anos antes dos acontecimentos dos filmes anteriores). Katie e Kristi são crianças.
Cenas de família (bem comuns nos anos 80!)... e então Dennis resolve filmar ele e a esposa fazendo sexo... Bom, fiquem tranquilos que não seremos obrigados a ver senas de sexo (ah... que pena, alguns pensarão! hehehehe). A tal filmagem é interrompida por uma espécie de terremoto.
Quando Dennis vai conferir o que a câmera captou, ele percebe algo muito estranho... como se alguém estivesse ali no quarto... o pó encobre uma espécie de "vulto".
Além disso, a pequena Kristi (que é brilhantemente interpretada pela jovem Jessica Tyler Brown!) diz que vê um tal de Toby, que todos acham que é seu amigo imaginário... até ai, normal... afinal, muitas crianças da idade dela dizem que tem um amigo imaginário. Só que Toby não é exatamente muito amigável e proibe a menina de comentar sobre ele...
Pois é... esse tal de Toby vai dar muito trabalho para essa família.


Esse terceiro filme é muito mais movimentado e repleto de sustos e cenas bem tensas. Como já mencionei, Dennis instala algumas câmeras pela casa para tentar descobrir o que está acontecendo. Uma delas é brilhantemente acoplada em um ventilador, ou seja, ela gira e consegue filmar a sala e a cozinha. Mas o movimento é relativamente lento e ficamos todos apreensivos com o movimento, curiosos para saber o que estará lá.


Nossa, como as meninas sofrem... Coitadinhas! Sobretudo a pobre Katie, que é um pouquinho mais velha. Ela não acredita em Toby (de início) e acha que é infantilidade da irmã... mas vai descobrir na pele que é verdade. Bom, ela não era tão pequena assim... e com certeza lembraria de tudo o que aconteceu. Isso me faz achar o primeiro filme ainda mais bobo. O problema é que parece que quando ele foi feito, não existia uma ideia mais complexa - como a que somos apresentados nos outros dois filmes). Bom... pra não perder o encanto, vou imaginar que a pobre Katie ficou tão traumatizada que seu cérebro bloqueou certas lembranças... O que não é de todo absurdo!


Com o desenrolar da trama descobrimos que a avó das meninas participava de um coven (grupo de bruxaria) e que tinha alguma relação com tudo - incluindo a morte de sua própria filha e seu genro. Ela cuidaria das meninas...

Bom...

No segundo filme, Ale pesquisa sobre espíritos e demônios e descobre que eles poderiam estar sendo assombrados por uma espécie de demônio (o que também é comentado no primeiro filme). Ale encontra uma teoria de que algumas pessoas fazem pactos com o demônio para obter poder ou riquezas... mas que precisam sacrificar uma criança (o primeiro menino) para pagar a conta. Bom... eles ali são todos ricos! A casa que Katie e Micah moram é imensa! No segundo, eles vivem em uma casa enorme, cheia de luxos. Daniel é dono de algumas lojas do Burguer King... ainda assim, será que isso seria suficiente para o luxo ou uma parte do dinheiro viria de Kristi?
Ah, Katie dirige um super carro conversível... que, bom... deve custar bem caro! (isso aparece no 1 e no 2).
As duas não trabalham!
No terceiro filme, Julie, a mãe das meninas também não trabalha e é casada com um "filmador" de eventos sociais... Sua mãe, em uma cena, comenta sobre ele não ganhar dinheiro... Bom, se ele ganha pouco e eles vivem com todo conforto, presuminos que o dinheiro é dela.
Ou seja, provavelmente sua mãe fez algum pacto com o "coisa ruim" para ter muito dinheiro. Mas teve só uma filha! E sua filha teve duas filhas!!! O primeiro homem da família (como constata Ale pesquisando a árvore genealógica de Kristi) é Hunter: o que faz muito sentido.
Ainda assim, porque matar (ou permitir que matassem) a própria filha?
Pelo que as irmãs conversam no segundo filme, a avó deve ter dito a elas que a mãe enlouqueceu, porque Katie comenta com Kristi que ela precisa não dar bola pro que está acontecendo pra não ficar igual a mãe!

Ai ficam algumas pontas soltas (ótimas pros produtores que, certamente, já estão providenciando mais uma sequencia). Por exemplo, o que aconteceu a avó? (Ok, sabemos que ela morreu... uma das duas, não me lembro... acho que a Kristi, comenta no começo do terceiro filme). Mas morreu como? E o que ela fez com as meninas depois do fim do terceiro? O que ela disse às meninas? Como explicou tudo?
Além disso, para onde Katie levou o pequeno Hunter? Será que ela o matou?
O que Ale fez? Será que simplesmente se conformou ou foi atrás de uma resposta? (Já que estava muito curiosa sobre tudo).

Bom... aguardemos o próximo Atividade Paranormal!

Ah, queria fazer mais um comentário. Como detesto adolescentes no cinema!!! #prontofalei!
Eles gritam a toa, e na maioria das vezes só pra atrapalhar quem está tentando ver o filme e curtir.
Meu problema, na verdade, não são exatamente os adolescentes... mas os adolescentes malas! hehehehehe!
Se não fosse por um bando deles, dos mega sem educação, provavelmente eu teria curtido ainda mais o filme!

Ah, mais uma vez algumas cenas que aparecem no trailer não estão no filme! Entre elas a do "bloody mary"... bom, tem uma cena parecida - muito boa, por sinal - mas não é a do trailer! ;)

Bom sustos pra vocês!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O Ritual

Hoje resolvi ver "O Ritual", de Mikael Håfström. A curiosidade de ver o filme foi muito mais por que é estrelado pelo meu querido Anthony Hopkins do que pelo assunto em si. (Apesar de ser muito fã de Hopkins ainda não tinha encontrado um tempinho para ver essa produção).
Particularmente gosto de filmes com esse assunto, o demônio sempre me faz refletir sobre alguns valores como fé, Deus, igreja... Confesso que não me assusto muito com esse tipo de filme, não são os que mais me dão medo (tenho mais medo de pessoas reais, malucas, piscopatas).


O filme em questão é inspirado em fatos (teoricamente) reais que foram narrados no livro "The Rite", do jornalista Matt Baglio que, supostamente, vivenciou as coisas que são contadas no filme (ele seria a personagem da brasileira Alice Braga, a jornalista Angelina).

Conta a história de Michael Kovak (fracamente interpretado por Colin O'Donoghue), fillho de um agente funerário. Michael trabalha com o pai preparando cadáveres para seus funerais, mas não quer isso pra sua vida. Para não ser questionado pelo pai, vai ao seminário (já que na sua família as pessoas trabalham com funerais ou são padres). Seu plano é terminar os estudos mas não se ordenar. Mas um padre do seminário pede que ele reconsidere, já que acredita que ele seria um exelente padre. Só que Michael não tem certeza de sua fé, não acredita que foi realmente escolhido para o sacerdócio. Seu superior pede que ele pense mais um pouco e o convida a passar um período em Roma, no Vaticano, para estudar exorcismo... Eles estavam precisando de jovens interessados e Michael poderia ser uma boa opção.
Ele vai, mas seu ceticismo só o faz querer, cada vez mais, provar que as pessoas ditas possuídas, tem na verdade problemas psiquiátricos.


O professor do Vaticano, percebendo sua incredulidade, pede que Michael procure Padre Lucas (Hopkins), um jesuíta que pratica exorcismos. Com ele, o jovem padre americano começa a questionar suas crenças. Se ele tem dúvidas que Deus exista, o Demônio também não pode existir. Mas é ai que as coisas começam a esquentar. Será que é real? Será que está perdendo a sanidade?


Pra variar, é mais um filme super moralista que a Igreja deveria passar para os fiéis verem! hehehehehehe!
Sempre que eu vejo um filme com esse assunto penso nisso. Creio que o interessante seria fazer um filme que parecesse o tempo todo que o problema é o demônio, mas no final, conseguirem provar que é tudo fruto da mente humana! Aí sim seria assustador!!!


Antes, quando eu era mais crente, eu me assustava mais... agora, só vejo um filme que faz apologia ao poder da Igreja Católica: se há o demônio, ele pode nos possuir. E nós, fracos, devemos recorrer à Igreja e aos bondosos padres exorcistas.

Bom, pra quem gosta de filmes com esse assunto, é bacana! Tem algumas cenas bem interessantes e até assustadoras. Hopkins está ótimo no papel (pra variar), o que dá ao filme um charme incrível. Alice Braga também se destaca, sobretudo porque (como já comentei rapidamente no começo) O'Donoghue não me convenceu como o jovem padre Michael.

Linda trilha sonora!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

REC


REC é um filme espanhol de 2007 dirigido por Jaume Balagueró e Paco Plaza que traz a ideia de um falso documentário. Uma reporter, Angela, e seu operador de câmera pablo estão gravando um programa para uma tv local de Barcelona (o fictício "enquanto você dorme"). Naquela noite, Angela estava cobrindo uma noite com o corpo de bombeiro, para registrar o cotidiano desses homens. No começo tudo está bem, calmo até demais, e Angela aproveita pra registrar coisas comuns do batalhão, como o local em que eles comem, descansam, se distraem e se exercitam. A repórter espera ansiosa por uma chamada, já que a equipe de tv irá acompanhar os bombeiros na "aventura". Um bombeiro até explica pra ela que, muitas vezes, os chamados são coisas bem simples, como resgatar animais de estimação, por exemplo.


A sirene toca. Uma chamada para a equipe atender. Não é um incêndio, por isso só uma pequena equipe se desloca para atender a ocorrência. Angela e Pablo vão com eles.
Eles chegam a um pequeno prédio de apartamentos. Os vizinhos contam que chamaram socorro porque ouviram muitos gritos vindo do apartamento de uma senhora idosa. A polícia também já tinha chegado e, todos (policiais e bombeiros) foram até o apartamento para resgatar e prestar socorro à mulher. Claro que Angela e Pablo acompanham os profissionais, mesmo com reclamações dos policiais.
Quando eles chegam no tal apartamento, as coisas começam a acontecer! O filme começa a esquentar!!! A velha está toda suja de sangue e, quando um policial tenta acalmá-la, ela pula sobre ele, alucinadamente, como um animal feroz... arrancando pedaços.


A tensão vai aumentando. Eles não conseguem sair do prédio porque as autoridades isolaram o local. Mesmo com um policial gravemente ferido, ninguém pode sair dali. O pânico se instaura.
O prédio estava infectado por alguma coisa terrível, uma espécie de "raiva" super forte, que era transmitida pela saliva e que transformava os infectados em monstros violentos.
Ninguém consegue entender o que está havendo, até que o governo manda um agente sanitarista para colher amostras de sangue dos moradores e de todos que estão lá dentro para saber quem poderá sair... mas é claro que as coisas saem do controle.


As cenas que vemos são todas da câmera de Pablo, como se realmente tivessem acontecendo de verdade.
O que posso dizer é que os espanhóis conseguem trazer o clima de realismo que alguns outros filmes nesse estilo não conseguem (como o aclamado - mas bomba na minha opinião - "Atividade Paranormal").
Quando "Bruxa de Blair" surgiu, confesso que cheguei a acreditar na possibilidade daquilo ser real (eu não tinha internet em casa, e mesmo que ela já existisse, o acesso às informações era bem mais limitado que hoje), agora com REC, mesmo sabendo que é um filme (assumidamente um filme), temos a impressão de realismo. Os atores estavam muito bem e, segundo algumas revistas sobre cinema, algumas cenas foram filmadas sem que eles soubessem, para dar mais realismo ainda (como por exemplo o momento que um bombeiro cai das escadas. Aquele susto foi real!).


Gostei muito de REC. É um filme relativamente simples, mas conseguiu manter minha atenção. Ok, é um filme curto... e o bicho começa pegar mesmo só depois de um tempo... ainda assim, fiquei ligada nele o tempo todo. Consegue ser envolvente, assustador, nojento... conseguiu me dar uns sustos! (eu gosto de ser assustada vendo filmes de terror! hehehehehe).


Pra variar, os americanos ficaram com invejinha e fizeram uma cópia (Quarentena, de 2008) - os americanos vivem fazendo cópias de filmes bons de outros países (como o espetacular "Deixa ela entrar", e tantos outros orientais).

Há uma sequência (REC 2, de 2009), REC 3: Gênesis que parece que vai estrear em janeiro de 2012 e já um quarto filme também.

Vale a pena assistir!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A volta dos mortos vivos

Há tempos este filme está na minha lista de "rever"! Depois de terem comentado sobre ele comigo, resolvi colocá-lo como prioridade.
Ah, como eu me divirto com os filmes de terror dos anos oitenta!!!
O clima trash, a trilha sonora de sintetizador, o ar cômico, as maquiagens mal feitas, os bonecos toscos!!! Que delícia! As vezes penso que o excesso de efeitos especiais e os litros e mais litros de sangue falso em produções modernas tiram um pouco do glamour do estilo! Eu me irrito um pouco quando os diretores modernos abusam do CGI... confesso: prefiro as alternativas toscas!!! heheehehehe

Esse filme é um clássico do terror dos anos oitenta! Lançado em 1985, com direção de Dan O'Bannon (que fez o roteiro de "Alien"), segue na rabeira do outro clássico (mais clássico ainda) de George Romero: "A noite dos mortos vivos", de 1968 (que, pra quem não sabe, é o "pai" dos zumbis! -- só uma informação técnica: Romero não foi o primeiro a fazer filmes de zumbis, mas o primeiro a ganhar destaque e fazer desse um tema famoso).

A história de "A volta dos mortos vivos" é relativamente simples, mas bem amarrada (vou contar com spoiler - se bem que o filme é tão conhecido que não acredito fazer muita diferença)

Freddy é um jovem que está em seu primeiro dia de trabalho em um armazém de itens hospitalares (e coisas relativas, como objetos usados em aulas de medicina, por exemplo). Frank, seu supervisor, está lhe mostrando como as coisas funcionam por lá, até que o garoto (que está achando aquilo tudo muito estranho) pergunta qual foi a coisa mais estranha que ele já tinha visto por lá. Frank vem com uma história "maluca" sobre mortos que voltaram a vida, e conta que anos antes uma experiência científica feita a mando do exercito americano tinha saído do controle e gerado uma substância capaz de fazer coisas mortas voltarem a vida, o gás trioxina e, que isso teria gerado o famoso filme "A noite dos mortos vivos"... Alguns tambores contendo defuntos e o tal gás tinham sido entregues naquele galpão por algum erro do setor de entregas do exercito.

O rapaz acha tudo uma grande piada, até que Frank pergunta se ele quer ver os tais tambores! Poxa, depois de já ter visto esqueletos, cachorros pela metade e até um defunto inteiro que seria usado em aulas de anatomia, ele topou!
Mas o que eles não imaginavam é que, acidentalmente abririam o tambor contendo o tal gás militar e que seriam atingidos por ele. O gás se espalha pelo galpão e ressuscita o cadáver que estava na sala refrigerada! Desesperados, chamam o dono do galpão, Burt, que também fica desesperado! Lembram do filme de Romero e tentam "matar" o zumbi quebrando seus miolos... mas não acontece nada. Cortam a cabeça fora... e nada, as duas partes continuam mexendo desesperadas! Mesmo depois de picado em vários pedaços, o corpo morto ainda vivia!!! Burt, tem a ideia de levar o corpo no necrotério ao lado do galpão. O dono era um velho amigo seu e lá, eles sabiam, tinha um crematório. Pensavam que, dessa maneira, resolveriam o problema. O que eles não imaginavam é que a fumaça da cremação se mistura a chuva que começa a cair e vai parar no cemitério ao lado!!! E ai... isso mesmo, os mortos voltam a vida!!!

Paralelo a isso tudo, um bando meio punk de amigos de Freddy resolve esperá-lo pra lhe dar uma carona. Mas como chegam bem antes do horário (ele só sairia 22h naquele dia), a turma fica esperando no cemitério! A moçada toca o terror!!! (sobretudo uma maluquinha de cabelo vermelho que resolve arrancar a roupa e fazer dancinhas sensuais). E... bom, quando a chuva começa e os mortos levantam das tumbas... claro que eles também terão sérios problemas.

Freddy e Frank que são atingidos diretamente pelo gás, morrem - mas permanecem vivos! Como estão passando mal, Burt chama uma ambulância com paramédicos para tentar socorrê-los... Quando eles chegam, começam a examinar os dois e ficam perplexos: eles não tem pulso, estão gelados, as pupilas não dilatam... ou seja, estão tecnicamente mortos! Ao tentar ir embora daquele lugar estranho, os paramédicos são atacados pelos defuntos sedentos de miolos.
Pois é... miolos!!!

Ao examinar uma cadáver (quer dizer, um pedaço de uma cadáver), o embalsamador Ernie, que conhece sobre o processo de decomposição dos cadáveres, resolve examiná-la para tentar entender o problema que estão enfrentando. Ela lhe conta que sentem muita dor, muita mesmo (afinal, sentem seus corpos continuarem a se decompor... e que a única coisa que faz essa dor parar são miolos de vivos!!!).
Nessa altura, Freddy e Frank já estão em estado bem avançado... é preciso ficar longe deles!
É difícil ficar longe dos mortos-vivos, afinal de contas, nada os detém.
Depois de muito esforço, Burt consegue voltar ao galpão e enfim chamar um número de telefone que deveria ser usado imediatamente em acidentes com o tal material (mas eles ficaram com medo de serem processados pelo exército, enfim...). O número é encaminhado para um figurão do exercito que dá um comando para um soldado. O comando: destruir aquele lugar todo... sem deixar ninguém pra contar a história!!!!!
E ai: buuum!!!
E fim do filme!

O filme de O'Bannon dá uma repaginada nos zumbis de Romero. Eles não andam devagar com os braços esticados para frente, mas correm atrás de suas presas. Os mortos conseguem falar e se comunicam com os vivos (é hilária a cena em que, depois de comer os miolos dos paramédicos, um zumbi fala no rádio para que mandem mais médicos!!! E depois de comer miolos de policiais, também pedem mais policiais!!! hahahahahaha). Ah, os zumbis de O'Bannon só querem cérebros... o resto do corpo não os interessa! (diferente dos zumbis de Romero).

Esse é um filme muito bom! Muito mesmo! Imperdível para aqueles que gostam do gênero (sobretudo histórias de zumbis). Vale a pena ver (ou rever, como eu fiz - dá pra achar uma cópia dublada no youtube, dividida em 6 partes de 15 minutos) - não sei vocês, mas eu adoro rever os clássicos dos anos oitenta dublados!!! (Eu particularmente detesto filmes dublados, mas por ter visto esses filmes pela primeira vez dublados em fitas VHS, eu acho bacana! Nostalgico... mas bacana!)

Algumas sequencias desse filme foram feitas. A segunda muito ruim, a terceira mediana (as outras duas ainda não vi então não posso comentar).

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A Serbian Film

Acabei de ver o polêmico e censurado "Serbian Film: horror sem limites" do diretor servio Srdjan Spasojevic.
O filme já foi exibido e até celebrado em outros países, mas aqui, o DEM (partido que se considera "democrático" o proibiu alegando que o filme pode incitar a pedofilia - já que insinua isso (não mostra exatamente, ok!) e que o veto é para proteger o direito das crianças garantido pelo ECA.
Bom, primeiro que o filme tem sim cenas bem fortes e que me deixaram de cabelo em pé e com vontade de chorar... mas de maneira alguma incita a pedofilia! Muito pelo contrário! Me fez ter ainda mais asco e ódio daqueles que gostam disso!
Outra coisa é que o filme é muito crítico (e não necessariamente sádico). Tem vários filmes por ai que mostram cenas assombrosas e que nem trazem tantas questões ao público. Muita gente vê filmes gore porque gosta de ver sangue no cinema (sem significar que a pessoa é um assassino em potencial), mas esse filme não é divertido (apesar de ter umas cenas bem absurdas que beirem o riso!). Não foi feito para ser divertido (pelo menos eu penso que não).
Creio que a censura é um abuso do poder e um regresso da democracia nesse país. E o mais engraçado nesse Brasil é que libertamos um certo mal caráter estrangeiro (que tem inclusive acusações de ter abusado de um garoto de 14 anos) e os políticos do DEM acham normal. Ou seja, pedofilia na vida real pode e na ficção não?
E repito, o filme não faz de forma alguma apologia a isso. Se alguém acha que faz só pode ser porque leu em algum lugar que essas cenas existem ou no máximo viu algum trailer ou trecho. Vendo o filme todo não tem como ter essa percepção.


O filme conta a história de Milo, um ator pornô que largou o trabalho pra ter uma vida normal em família (ele é casado com uma linda mulher e eles tem um filho de uns 6 anos). Só que as coisas não andam tão bem. Ele está ficando sem dinheiro e a vida é bem difícil... sobretudo quando se tem que sustentar uma família.
Ele recebe então uma super proposta tentadora para voltar a atuar mais uma última vez. Um cineasta que diz fazer cinema de "ARTE" lhe oferece uma quantia exorbitante para esse trabalho. Uma quantia que não é falada no filme... mas que seria suficiente para ele ter uma boa vida e criar seu filho com muito conforto. Sua esposa concorda com a oferta e ele então assina o contrato (sem ler exatamente todo seu conteúdo).
O diretor é um cara estranho que diz querer fazer algo novo, um pornô artístico... realista, visceral.
As gravações começam, mas Milo percebe que as coisas são meio estranhas (a primeira cena acontece em um orfanato abandonado!). O diretor não lhe entrega nenhum roteiro... ele recebe um ponto eletrônico que lhe diz o que fazer ali, ao vivo... enquanto caras com câmeras de mão o seguem...
As coisas vão ficando cada vez mais estranhas, até que Milo desconfiado pede que um amigo seu pesquise quem é o tal diretor (que já começa a parecer insano aos olhos de Milo).
Ele questiona o trabalho do diretor e diz que não pode fazer aquilo mais... Só que Milo não tinha a exata ideia de quem eram aquelas pessoas e o que estavam tramando exatamente.
É drogado por uma suposta médica da equipe e, quando está tentando ir embora para casa, largando aquilo, apaga. Acorda 3 dias depois em sua cama, em sua casa... sujo de sangue.
Ele não encontra sua esposa e seu filho e fica desesperado para encontrá-los e descobrir o que aconteceu.
Afe, ai a coisa realmente começa a ficar feia!
Ele vai tendo alguns flashes de lembranças... e percebe as coisas tenebrosas que fez sem ter consciência. Além disso encontra algumas fitas com as filmagens e assim vai ligando as peças do que aconteceu tanto com ele como com sua família.




Tenso.


Não vou contar mais para não cair em spoilers. O fato é que esse é um filme de difícil digestão. Não é, definitivamente, um filme para se divertir com a galera!


O diretor nos mostra o quanto pessoas podem fazer coisas absurdas por dinheiro e por puro sadismo.  "Este é um diário de nosso próprio molestamento pelo governo sérvio. Estamos pagando na mesma moeda", disse o diretor em uma de suas entrevistas. Pra ele seu filme é um tipo de protesto contra a censura que existiu na Sérvia por tanto tempo. 


Se eu gostei do filme?
Não sei dizer... A história eu achei muito boa! Mas, como já disse anteriormente, é um filme tenso, de difícil digestão. Acho que foi o primeiro filme gore que eu vi que tive vontade de chorar... Ele tem muitas cenas fortes com muito sexo,  sangue e violência (mas nada que um "Albergue" ou "Jogos Mortais" da vida não tenha).
Claro que certas cenas são tristes e chocantes (mas não são mostradas exatamente)... 




Fico pensando, eu que sou Historiadora da Arte, o que é arte. O diretor do filme (o personagem) diz que o que está fazendo é arte... eu passei o mês de julho todo estudando arte contemporânea e vi muitas coisas estranhas e até absurdas aos olhos de alguns... Artistas que se mutilam, que tatuam outras pessoas para realizar seu trabalho, que maltratam e/ou matam animais em nome da arte... Mas o que o filme mostra é demais. Certamente Srdjan Spasojevic (o diretor do filme) também nos faz questionar até onde a arte pode ir. Qual é o limite de um artista?
Oscar Wild certa vez disse que "não há artista doentio. O artista pode exprimir tudo". Será?
Será que realmente pode TUDO na arte?


E a arte de Srdjan Spasojevic? "A Serbian Film" é arte?
Em seu filme metalinguístico (um filme dentro do filme) ele nos faz questionar a arte (e outros valores, claro)... Provavelmente imaginou que sua obra também receberia tamanho questionamento.


Bom... apesar de censurado, claro que tem muita gente (como eu) que já viu o filme. A censura acaba sendo uma propaganda gratuita e um incentivo à pirataria. Hoje em dia todo mundo sabe que é possível encontrar e "baixar" filmes da rede... e é claro que não seria diferente com esse (sobretudo porque ele não foi censurado na maioria dos lugares! Como disse, chegou até a receber prêmios).




Se vale a pena ver: depende.
Se você tiver uma cabeça boa... se você tiver estômago... se você realmente gosta do gênero: sim. Se você achou o sadismo de "o albergue" demais pra você, por exemplo, é melhor deixar quieto... Mas já vou avisando: fizeram muito barulho, mas nem é tão assustador assim!!!


Mas como disse... terá que "baixar" da Internet (você conseguirá encontrar o filme com legendas em inglês com facilidade... bom, eu não entendo sérvio... então sem legenda não dá! hehehehehe. Não encontrei com legendas em português - mas não duvido que alguém já tenha feito isso e colocado na web!)


O que não pode é proibir... isso me dá mais nojo do que certas cenas do filme. A hipocrisia e a falta de caráter de muitos políticos desse país me agride mais que o filme de Srdjan Spasojevic....