sexta-feira, 16 de julho de 2010

O Iluminado

A primeira vez que vi esse filme, ainda era uma criança. Na época não consegui guardar todo o filme, mas algumas imagens me perseguiam, como a das menininhas no corredor, a velha na banheira o sangue que saia dos elevadores.
Na minha infância, morei em uma casa antiga, do final do século XIX. O banheiro tinha uma enorme banheira (enorme pra mim, na época) que era fechada por uma cortina. Confesso que, depois de ver "O Iluminado", sempre batia na cortina quando entrava no banheiro, para me certificar que não havia ninguém morto em estado de putrefação lá dentro.
Só que os anos se passaram e eu, já não lembrava mais o nome do filme. Quando eu tinha 15 anos, uma nova versão saiu e eu, que já naquela época gostava de ver filmes de terror, aluguei (lembro que eram duas fitas) sem relacionar uma coisa a outra. Coloquei o filme e, mesmo com as imensas diferenças, me veio a mente o nome do filme que eu tanto tentava rever: "O Iluminado".
Essa casa ficava do lado da videolocadora - literalmente ao lado. Várias vezes minha mãe, brava por algum motivo, me dizia pra não por os pés na rua e eu, pra sacanear, ia pra locadora sem colocar os pés na calçada, apenas pulando da porta de casa, pra porta do estabelecimento - e quando ela reclamava eu respondia: "Mas não coloquei o pé na rua!", riamos e eu escapava da bronca. Lá na locadora eu perguntei sobre outra versão de "O Iluminado" e a moça da loja me mostrou o de Stanley Kubrick.
O filme de 1997 é, sem sombra de dúvida, mais fiel à obra de Stephen King (livro que só fui ler aos 18 anos, quando o encontrei em um sebo). Porém, a tensão do filme de Kubrick é insuperável.
Muitos dos fãs de King não gostam do filme de Kubrick, principalmente por ele resumir a história e focar muito mais no problema piscológico que afeta Jack no que na força sobrenatural. Eu concordo, porém gosto muito mais do filme deKubrick que do livro de King.
O filme tem problemas: sim. Na minha opinião o maior deles é a atuação de Shelley Duvall como a esposa de Jack. Primeiro, porque quem é da minha idade, certamente olha pra ela e se lembra da Olívia Palito (filme também de 1980 que ela fez... com o Robbin Willians como Poppey!). Sua atuação não nos agrada e, confesso, depois de ver esse filme várias vezes, torço pra que Jack dê uma machadada na sua cabeça. Consta que até mesmo o diretor teve problemas com ela, chegando a gravar uma mesma cena 100 vezes para conseguir o efeito que queria.
Uma coisa bacana, pra mim, é o como o diretor fez para trabalhar com o pequeno Danny (Danny Lloyd), de 5 anos na época. Consta que o menino não soube (pelo menos até o filme estrear) que estava rodando um filme de terror! Que imaginação, heim!


Titulo original: (The Shining)
Lançamento: 1980 (EUA)
Direção: Stanley Kubrick 


O filme começa mostrando as belas montanhas ao som de Berlioz, e o fusquinha amarelo subindo até o grande Overlook. Jack Torrance é contratado para ficar como zelador do hotel, nas montanhas do Colorado, durante o rigoroso inverno, quando a neve o deixava isolado. Alguém precisava ficar por lá para a manutenção. Como Jack queria escrever um livro, pensou que essa poderia ser uma boa oportunidade para ter paz e conseguir escrevê-lo.  O gerente do hotel conta pra ele o que tinha acontecido, anos antes, com um zelador, afim de alertá-lo sobre os problemas de permanecer tanto tempo isolado nas montanhas. Mesmo assim ele vai pra lá com sua esposa e seu filho pequeno (que tem um amigo imaginário chamado Tony - que é seu dedo indicador).
Quando eles chegam ao hotel, o cozinheiro Dick Halloran percebe que Danny é especial, é um iluminado (que consegue ver coisas e pode ter poderes sobrenaturais, como o de se comunicar com a força do pensamento... como o próprio cozinheiro podia). Danny comenta com o cozinheiro sobre as visões que teve antes mesmo de chegar ao hotel e ele o diz que algo terrível aconteceu naquele hotel e que era preciso ficar longe do quarto 237 (no livro, o número é 217. Dizem que a mudança aconteceu a pedido do dono do hotel que serviu de cenário para o filme, que tinha medo que os hospedes ficassem com medo e não quisessem mais o quarto 217. O quarto 237 não existe no hotel verdadeiro).
O isolamento começa a causar sérios problemas mentais em Jack e ele vai se tornando cada vez mais agressivo e perigoso... enquanto isso seu filho, andando de triciclo pelos corredores, tem a visão de duas meninas de vestidinho azul. Elas aparecem normais e depois assassinadas. Danny não conta pra ninguém o que viu. Um dia, ao brincar com carrinhos, uma bola rola em sua direção - parece ter vindo justo do quarto 237, o proibido. Ele, curioso, decide ir até lá. Depois disso as coisas vão ficando cada vez piores. Uma mulher na banheira do quarto 237 agarra o pescoço de Danny... Wendy acha que foi Jack e passa a persegui-lo com um taco de beisebol. Jack descobre o salão de baile e lá no bar encontra personagens da história do hotel, entre eles, Grady, que Jack relaciona com o antigo zelador que matou a família (só uma curiosidade, o nome que o gerente do hotel fala pra ele é Charles Grady... e o homem do bar, que o ajuda e o dá dicas, é Delbert Grady. Seriam a mesma pessoa?).
As coisas saem do controle e Jack passa a perseguir a família com um machado.


Esse não é um filme repleto de sangue ou sustos, ainda assim nos deixa grudados na poltrona, tensos. A mistura que o diretor faz com o problema psicológico do isolamento com os elementos sobrenaturais (que no livro pendem mais para o lado sobrenatural, diferente do filme que é bem mais psicológico) nos faz pensar muito mais na história: poderiamos fazer o mesmo? Como deve ser assustador para uma criança ter que fugir do próprio pai, aquele que deve protegê-la?
Nossa... a cena do labirinto é incrível... dá muita agonia ver o pequeno Danny fazendo o possível para apagar suas pegadas e se esconder na moita gelada.
Se vale a pena ver esse filme? Sim e muito! E muitas vezes.
Pela direção, pela atuação de Jack Nicholson, pela trilha sonora, pela fotografia, pela tensão...

Garota Infernal

Vi esse filme sem muita espectativa. Não tinha ouvido falar nada sobre ele (bom, nada além dos comentários sobre Megan Fox - a "gostosa"). De maneira geral achei um filme legal... bem adolescente, fraco mas com uma boa história. Sempre que isso acontece penso que o cinema de terror precisa de bons roteiristas urgentemente. Conheço pessoas que gostaram do filme, mas pra mim ele poderia ser mais sombrio - Ok, ele foi feito pro público teen e não pra gente como eu que gosta de terror dos bons, daqueles que nos sentimos pregados na poltrona, tensos...




Titulo original: (Jennifer's Body)
Lançamento: 2009 (EUA)
Direção: Karyn Kusam


O título brasileiro também não me agrada, preferia o jargão "possuída" (mesmo que já existam outros filmes com esse nome). Mas enfim, está feito e é esse o nome que temos.


A história se passa em uma pequena cidade americana (Devil's Kettle - caldeirão do diabo - como a cachoeira que tem na cidade) onde vivem as amigas Jennifer (Megan Fox) e Needy (Amanda Seyfried). Apesar de bem diferentes (Jennifer é toda fogosa e bonitona, cobiçada pelos meninos da escola e Needy tem aquele ar de nerd e beata de igreja) as duas são amigas inseparáveis desde a infância. Um belo dia, ou melhor, noite, a safadinha da Jennifer chama a amiga quietinha Neddy para ir a um bar local onde uma nova banda de rock fará um pequeno show. Jennifer, claro, fica se insinuando pros caras da banda... Nisso um grande incêndio acontece no local! Confusão, gente morrendo queimada, fogo por todo lado. As duas meninas conseguem escapar (muita gente morre nesse incêndio), mas Jennifer encontra os caras da banda - que também conseguem escapar. Eles a chamam pra dar uma voltinha... conhecer a van da banda. Needy, a certinha, acha um absurdo... mesmo assim, a amiga aceita o convite e entra na van.
Neddy vai pra casa... ela está sozinha falando com seu namorado (pelo telefone) quando ouve um barulho estranho. Vai até a cozinha e encontra Jennifer toda ensanguentada e vomitando um líquido estranho (além de estar estraha).
Depois disso ela passa a agir de forma muito estranha, por vezes arrogante e desprezando os mortos no incêndio. Consciente de que é objeto de desejo dos garotos da escola, ela passa a atraí-los para depois come-los, literalmente.
Ai começa a matança!!! Que vai acabar só quando a amiga percebe o que está acontecendo e resolve salvar seu namorado que está para se transformar na mais nova vítima de Jennifer. E ai o desfecho que, bom... não vou contar aqui.

O filme não começa pelo começo... mas com a Neddy aparecendo com cara de má na janela do quarto de Jennifer... o que nos faz pensar que ela é a garota do mal. Depois vemos uma Needy internada em um sanatório... Uma Needy agressiva que acaba sendo colocada em uma espécie de sala escura, como aquelas de presidios.
O nome da cidade, Devil's Kettle, que faz referência como já comentei acima, à cachoeira, será importante - Não é a toa que Needy nos explica isso no começo e nos mostra o que há de especial na tal cachoeira. Há uma espécie de redemoinho e, todos ficam espantados porque tudo que entra lá, não aparece mais! Esse será o palco do ritual que transformará Jennifer no monstro cheio de dentes devorador de homens.

Será que conto o final? Sempre tenho vontade! hehehehehe...
Bom, sem muitas delongas, o filme acaba meio que como começa... com a cena que Needy olha pelajanela do quarto de Jennifer.
Ah, gosto bastante do final... do quando já estão passando os créditos. Muita gente sai do cinema ou desliga o video em casa no começo do fim e perde de ver o que Needy faz com os caras da banda que fizeram aquilo com Jennifer. Imagens estéticamente lindas... não perca!

Boa diversão pra adolescentes e iniciantes no mundo do terror... Mas já aviso, pra quem espera ver Megan Fox pelada vai ficar decepcionado... nem dá pra ver nada! (Bom, mas tem uma cena de beijo entre as duas meninas...)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Lobisomem

Assisti "Lobisomem" (The Wolfman) ontem. Já tinha ouvido coisas boas e ruins sobre o filme e resolvi, agora que estou de férias, vê-lo para tirar minhas próprias conclusões.
O longa do diretor Joe Johnston tem vários atores que eu gosto muito: Benício Del Toro (que também é um dos produtores do filme) como o Lobisomem, meu super querido Anthony Hopkins (que dispensa apresentações!) como Sir John Talbot, pai do personagem de Del Toro e Hugo Weaving (o eterno Agente Smith de Matrix). A mocinha é a não tão bonita e não tão boa atriz Emily Blunt (que ficou "meio" conhecida pela Emily de "O diabo veste prada").
O filme, até onde eu sei, é um remake de "O Lobisomem", de 1941.
Bom, não sei exatamente o que dizer sobre o filme de 2010. Achei um filme muito bonito estéticamente. Me remeteu ao cinema expressionista do começo do século XX (quando os filme de terror começaram). O filme tem imagens lindas em clima noir, a luz da lua batendo sobre as árvores criando aqueles efeitos de filmes de terror antigos, meio vintage... achei lindo. A história em si é boba. (Sobretudo pra mim que venho de uma região em que muitas pessoas juram de pé junto que já viram um lobisomem). Ok... essa foi, de certa forma, a primeira história sobre lobos apresentada ao público no cinema (a que deixou o monstro conhecido). Pesquisei e li isso sobre o filme de 1941, que foi por ele, que o lobisomem ficou conhecido.
Não posso dizer que achei o filme ótimo... mas é bom. Indico para aqueles que gostam de cinema de arte, para aqueles que gostam desses monstros mais antigos e lendários... Pra quem curte o terror gore e cheio de sustos, nem pensar. Vão achar o filme chato e idiota.
Pra mim que, além de gostar demais de filmes de terror, sou historiadora da arte, o filme foi bom. Não posso afirmar, mas acho que o diretor não queria fazer um filme cheio de sustos e efeitos especiais... como já disse, o que percebemos, na verdade, é um clima vintage à la cinema expressionista. De certa forma, uma homenagem.


São ou não são lindas estas fotos?

Só para constar, está acontecendo na cidade de São Paulo o 2º Festival Internacional de Cinema Fantástico, o SP TERROR.
http://www.spterror.com/

Abraços!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A Hora do Pesadelo



Hoje fui assistir o novo “A Hora do Pesadelo”. Queria muito ver esse filme... Já fui muito fã de Freddy Krueger, vi todos os filmes várias vezes! Mas há muito tempo não os via. (Inclusive, pensei muito em vê-los esses dias, mas não tive tempo de procurá-los). Ainda assim fui ao cinema hoje, cheia de curiosidade e expectativa.
Logo no começo do filme tomei um baita susto. Não estava esperando... Confesso que achei que não seria surpreendida!
De maneira geral gostei do filme. Hoje em dia há muito mais tecnologia para realizar esse tipo de coisa e isso faz diferença. Porém, não gostei muito do Freddy. Pois é, justo dele... meu “ídolo de terror juvenil”. O antigo, Robert Englund, era muito melhor – ele tinha uma maquiagem “trash”, mas era irônico... Tinha um sorriso sarcástico que eu achava demais! Esse novo Freddy, Jackie Earle Haley, tem cara de mau. Ele não tem nada de cômico e, sua maquiagem não ficou legal... Ok, parece que ele está queimado! (Bem mais que o antigo, que como já disse, era meio mal feita!) Enfim, senti falta do sarcasmo... do jeito brincalhão.
Fora isso, gostei sim. Nessa versão eles colocam Freddy não mais como um assassino de crianças, mas como um pedófilo. Acho mais atual (ainda mais com todos esses escândalos atuais de pedofilia, envolvendo, sobretudo padres – pessoas que deveriam zelar pelas crianças – assim como o jardineiro da escola infantil). Nessa nova filmagem não há a caldeira onde Fredy queimava pistas... Mas mesmo nesse filme, nos sonhos, eles geralmente iam parar em um cenário que lembra caldeiras... muita fumaça, fogo, canos...
Algumas cenas do filme dos anos oitenta foram refilmadas nessa versão, como por exemplo, a cena da banheira, a cena da cama, o Freddy aparecendo na parede... Cenas memoráveis que gostei de ver na tela grande.
Acho que os mais jovens que não conhecem a história de Freddy Krueger vão gostar do filme. Tem susto, sangue, mistério (não pra nós que conhecemos a história)... A maioria dos filmes de terror atuais apela para os fantasmas orientais, ou então, para os loucos psicopatas... Fazia tempo (pelo menos pelo que eu tenha notado) que não apareciam “monstros” como Freddy.
Vou assistir o filme antigo e depois volto aqui pra falar mais... fazer uma análise comparativa. Por hora, deixo a dica: vale a pena SIM ver o novo “A Hora do Pesadelo”.

Só não vale ficar com medo de dormir!

(Olha o antigo Freddy... só pra comparar!)

domingo, 2 de maio de 2010

Hannibal Lecter, M.D.


Chega a ser complicado falar de Hannibal Lecter, meu vilão adorado. Ele já foi eleito pela BBC o maior vilão do cinema de todos os tempos e, na minha opinião, o que o faz tão famoso é que, apesar dele ser um monstro abominável, não conseguimos ter raiva dele (pelo menos eu não consigo).
O personagem é elegante, charmoso, culto e sabe usar as palavras como poucos. Apesar de nos ter sido apresentado em 1991 pelo filme “O silêncio dos inocentes”, ele nasceu pelas mãos do escritor americano Thomas Harris em 1981 com o livro “Red Dragon” (O Dragão Vermelho). O livro “The silence of the lambs” é de 1988. Em “O silêncio dos inocentes” conhecemos um Hannibal prisioneiro em um hospital psiquiátrico, condenado a prisão perpétua. Ele não é exatamente o vilão do filme, mas ajuda a encontrá-lo em suas conversas com a estudante da Academia do FBI Clarice Starling.
Sobre os filmes, o melhor na minha opinião é “O silêncio dos inocentes”. A atuação de Hopkins é primorosa. Seus olhares, seu jeito de falar... Gosto de todos os filmes (o mais fraco é, sem dúvida, o último “Hannibal, a origem do mal”. Não gosto muito do menino que faz Hannibal jovem... e aquele furo estranho que ele tem na bochecha me irrita! Hehehehehe!)
Eu que sou um tanto conservadora para cronologia dos fatos, teria gostado muito mais se conhecessemos mais aquele canibal no primeiro filme; o ideal teria sido que o conhecessemos com “O Dragão Vermelho”, que só foi lançado nos cinemas em 2002. Mesmo “Hannibal” que encerra a história foi lançado antes, em 2001. Ou seja, pra fazer uma análise do personagem é preciso ler os livros (é possível encontrá-los traduzidos pro português em algumas livrarias) ou então ver os quatro filmes (creio que essa sequência pode cooperar:

HANNIBAL, A ORIGEM DO MAL
titulo original: (Hannibal Rising)
lançamento: 2007 (França) (EUA) (Inglaterra)
direção: Peter Webber

DRAGÃO VERMELHO
titulo original: (Red Dragon)
lançamento: 2002 (EUA)
direção: Brett Ratner

O SILÊNCIO DOS INOCENTES
titulo original: (The Silence of the Lambs)
lançamento: 1991 (EUA)
direção: Jonathan Demme

HANNIBAL
titulo original: (Hannibal)
lançamento: 2001 (EUA)
direção: Ridley Scott

Hannibal Lecter nasceu na Lituânia e era filho de uma família rica (eles viviam em um castelo). A região que vivia foi devastada durante a segunda guerra mundial por causa dos ataques dos nazistas aos russos. Sua família resolve sair de casa e se refugiar em uma cabana, porém o local foi palco de uma briga entre nazistas e russos, e isso matou os pais do pequeno Hannibal, deixando somente ele e sua irmãzinha Mischa. Os dois estavam escondidos ali no meio da floresta, na cabana, em condições precárias e, se não bastasse tudo o que já tinham passado, alguns saqueadores que tinham trabalhado pros nazistas ocupam a cabana. Como não tinham o que comer, os homens matam Mischa e a comem (no sentido gustativo e mastigatório da palavra). Hannibal vê tudo aquilo e não consegui salvar a irmãzinha. A cabana é bombardeada e os homens fogem, deixando o menino pra trás. Ele consegue sair da casa e é encontrado por soldados russos. Hannibal passa a viver em um orfanato que, ironicamente, fica no castelo que, anos antes, era sua casa. O jovem Hannibal é atormentado pelas visões do que tinha acontecido na cabana e gritava, em seus pesadelos, o nome da irmã Mischa. Como já não suportava mais a situação no orfanato, resolve partir. Vai até a França em busca de um tio que ainda poderia estar vivo. Ao chegar na casa do tio descobre que ele também tinha morrido. Restava apenas sua tia e esta o acolhe. Vão morar em Paris onde Hannibal estuda medicina. Era um aluno aplicado que conseguiu trabalho na universidade cuidando dos corpos que seriam usados nas aulas de anatomia. Se transforma em um rapaz gentil, educado e culto.
Apesar de seguir sua vida, Hannibal não consegue esquecer o passado e resolve sair a procura dos homens que fizeram aquilo com Mischa. Para isso retorna até a Lituânia, à cabana onde tudo tinha acontecido. Lá encontra pistas que o levariam até os canibais. Sai à caça deles para ter sua vingança. Não se satisfaz apenas em matá-los, precisa sentir o gosto da carne, do sangue.
Aqueles homens atormentaram tanto a alma do pequeno garoto que o transformaram em um monstro. Eles o tinham feito comer uma sopa feita com a carne de Mischa... e isso o tinha traumatizado. Ver a irmã morrer para ser comida por um bando de bandidos e, pra não morrer, ter também comido parte dela, mudariam pra sempre a vida de Hannibal.
O último canibal estava no Canadá, o que o fez viajar para a América. Depois de tê-lo encontrado, Hannibal continua sua vida. Continua sendo um médico gentil, educado e culto. Torna-se doutor em psiquiatria. Um grande entendedor da mente humana que trabalha para analisar a mente de assassinos em Maryland e Virginia.
Provavelmente, sua primeira vítima depois de ter conseguido sua vingança foi Mason Verger, um de seus pacientes. Eles se aproximam e Lecter o sugere que se autoflagele – Mason tinha vários problemas por ser homossexual. Ele ouve os conselhos malucos do Dr Lecter e faz várias feridas em seu rosto (chegando a arrancar partes da carne). Hannibal o fere mortalmente, porém Mason Verger sobrevive ficando tetraplégico e com a face deformada.
Dr Hannibal Lecter continua sendo um médico respeitado e cheio de amigos influentes. Mas continua matando pessoas, agora, muito mais pelo simples prazer de degustá-las. O mais interessante é que, como é cheio de amigos importante, frequentemente serve seus convidados com iguarias extraordinárias (carne humana) e todos se deleitam sem saber o que realmente estão comendo.
Como continua colaborando com o FBI na elaboração de perfis psicológicos criminais, Dr Lecter conhece o agente especial William Graham. Graham está investigando um assassino serial que, tudo indica, come a carne das vítimas. O jovem investigador descobre que o assassino em questão é o seu “amigo” Hannibal Lecter. Dr Lecter também descobre que Graham sabe de tudo e decide matá-lo, porém, o investigador sobrevive. Dr Hannibal Lecter finalmente vai para a prisão. Por todos os crimes que cometeu, foi julgado a nove prisões perpétuas. (Bastava uma! Hehehehehe!)
Porém um novo serial killer aparece no pedaço: o “Fada dos dentes”. Como a polícia não consegue encontrar o bandido, pedem ajuda para o agente Willian Graham que estava aposentado desde o ocorrido com Dr Lecter. Ele procura o antigo “amigo” Hannibal e este, mais uma vez o ajuda a encontrar o caminho para o assassino.
Este acontecimento faz com que mais um agente procure o “doutor canibal”, na verdade uma jovem agente, ainda estudante da academia de polícia do FBI: Clarice Starling. A jovem tenta fazer o perfil psicológico de um assassino de mulheres, o Buffalo Bill. Mais uma vez, com seus jogos psicológicos, Dr Lecter consegue fazer com que cheguem ao criminoso. Mas dessa vez, Hannibal tem um plano para conseguir escapar da cadeia. A última vítima (ainda viva) de Buffalo Bill é a filha de uma importante senadora americana: pronto, decide fazer um acordo: informações por uma transferência. Aproveita de todo o circo que montam para sua transferência para conseguir escapar, não sem antes matar algumas pessoas (incluindo ai uma obra de arte, homenagem a Francis Bacon – que ele faz com o corpo de um dos guardas!).
Ele consegue escapar e vai atrás do diretor do hospital-presídio, que está de férias.
O tempo passa, Hannibal Lecter entra para a lista dos dez mais procurados do FBI, porém, ninguém o encontra.
Ele passa a viver na Itália, em Florença. Cria uma identidade falsa e consegue se infiltrar na sociedade florentina. Passa, inclusive a ser respeitado por ser um homem incrivelmente culto. Porém não permanece tanto tempo no anonimato. Uma antiga vítima sua, Mason Verger, não agüenta mais esperar sua vingança e resolve comprar policiais do FBI para ajudá-lo na captura de Hannibal. Através de uma carta que Dr Lecter mandou para Clarice Starling, conseguem localizá-lo.
Dr Lecter então sai do anonimato e, de maneira “sublime”, retoma seus assassinatos, até, por fim, conseguir se livrar definitivamente de Mason (indiretamente, mais uma vez) e fugir.


O que nos faz temer Hannibal Lecter? Será que é seu instinto canibal ou o fato dele ser um psicopata? Ele não reage emocionalmente. No filme “A origem do mal” ele consegue passar por um detector de mentiras na boa, sem nenhum esforço. O modo como mata suas vítimas, sempre tão tranqüilo... como se aquilo fosse normal e belo. Pode existir beleza na morte e no sangue (acabei de me lembrar do filme “Beleza americana” e daquele rapaz que filmava tudo o que via... sua reação quando vê o protagonista morto... o sangue escorrendo). O que acontece de fato é a atração que temos por Hannibal Lecter – claro que isso é “culpa” do excelente trabalho do ator Anthony Hopkins (que lhe rendeu, inclusive, um Oscar pelo papel em “O silêncio dos inocentes”).
Que vilão adorável!
Penso que admiramos os bons vilões. Conseguimos enxergar suas qualidades (mesmo que elas sejam moralmente erradas). Por exemplo, mesmo considerando Hitler um monstro, não deixamos de admirar o seu poder de persuasão. Pra mim, os dois “melhores” crimes de Hannibal são os que ele não faz com as próprias mãos, mas com suas palavras: o do idiota que estava preso no mesmo corredor que ele (o que fala para a agente Starling que consegue sentir o cheiro de sua “boceta”) – que, por sugestão de Hannibal engole a própria língua e, o do homossexual Mason Verger, que se auto-flagela (em uma cena linda – ok, gore... mas linda!).
Hannibal Lecter é um misto de canibal, vampiro e “Dom Juan” (apesar de ser um psicopata, e não “comer” ninguém – no sentido sexual da coisa – não podemos negar seu charme! Ele é muito sedutor).
Esse é o pior vilão... não conseguimos perceber que somos vítimas – até que a lâmina esteja cortando nossa carne. É diferente de um monstro feioso que usa máscara ou que tem o rosto deformado... Assim que o olhamos sabemos que são “do mal”... Mas, se encontrássemos Hannibal em uma sala de concerto, em uma galeria de arte ou em uma bela praça da Europa, não saberíamos. E existem Hannibals por aí. Aos montes. A história desse vilão, conforme nos mostrou seu “pai”, o escritor Thomas Harris, começou com um trauma de infância, como a de muitos malucos por ai. É fato que a maioria das pessoas que se envolvem em crimes tiveram uma infância conturbada... Muitos pedófilos, foram abusados sexualmente quando crianças... Há exceções? Claro. Mas, pelo jeito, não é o caso de Hannibal. Ele é um coitado que morreu em 1944 junto com Mischa. O que restou foi só o monstro, só a casca, só o apaixonante vilão.
Nos quatro filmes temos cenas primorosas, que eu gosto muito. Pequenos detalhes... Por exemplo, a refeição que Lecter faz depois de matar os dois policiais em “O silêncio dos inocentes”, come enquanto saboreia uma boa música... O jantar no começo de “Dragão Vermelho”, a cena da ópera em “Hannibal”... Também gosto muito de ouvir Hopkins dizer, pela boca de seu personagem: “Hello, Clarice!”...
Já está longo demais este post, portanto gostaria de terminar dizendo a quem não viu os filmes que os veja... todos os quatro. Se viu somente um deles, veja os outros. São esteticamente diferentes, cada um com uma pitada do diretor.
Não é uma série que provoca sustos nos espectadores. Aos muito fracos talvez provoque náuseas! Hehehehe!
É isso. Certamente não consegui dizer tudo o que queria. Tentei.

terça-feira, 13 de abril de 2010

PULSE


Hoje me deu vontade de voltar a escrever aqui nesse blog (nem sei se alguém lê, mesmo assim, vim escrever). Passei em uma videolocadora aqui perto de casa que está fechando e vendendo alguns títulos e fui lá procurar algo pra comprar e ver (algo que fosse barato - tinha pouco mais de sete reais no bolso). Comprei 2 DVDS pela bagatela de R$7,00; DVDs originais (mais velhos e gastos - afinal eram de uma videolocadora); um deles foi pra fazer uma série de posts que venho pensando há tempos: sobre os grandes vilões do cinema. Pensei em começar por Hannibal Lecter (meu preferido). Já tinha os filmes "O Silêncio dos Inocentes", "Hannibal" e "Dragão Vermelho"... mas me faltava "Hannibal, a origem do mal" (que já vi na TV). Comprei tal DVD pela bagatela de 3,90. Com os outros 3,00 que me sobraram comprei um filme que não tinha visto e que também nunca tinha ouvido falar. Não tinham muitas opções de terror na loja (e os outros, mais bacanas, estavam mais caros e fora do meu orçamento minguado). O filme é PULSE e é sobre ele que falarei nesse post.

PULSE
titulo original: (Pulse)

lançamento: 2006 (EUA)
direção: Jim Sonzero
atores: Kristen Bell , Ian Somerhalder , Christina Milian , Rick Gonzalez , Jonathan Tucker
duração: 90 min
gênero: Terror

Pulse é um filme bem fraco (para aqueles que gostam de terror), mas não é de todo ruim. A ideia original é boa (garotos investigam ondas magnéticas em busca de uma super rede e, acabam descobrindo em uma frequencia diferente, o mundo dos mortos. O problema é que isso faz com que os mortos consigam atingir nosso mundo usando a rede. O caminho é aberto e não pode mais ser fechado. Esses mortos querem vida e por isso tiram-na dos vivos. Usam a rede para chegar até as pessoas: internet, telefones celulares e afins. Ou seja, não há como fugir. A única maneira é sair das cidades e ir pra locais ermos onde não há conexão nenhuma... nenhum sinal de celular, por exemplo! (Oh, não! Isso sim é assustador!!! hehehehehe).
A ideia de usar o tema da tecnologia e das ondas que levam informações foi bem interessante pra mim. Mais um filme que tem uma boa ideia mas um péssimo roteiro. Vi que ele foi baseado em uma história oriental de Kiyoshi Kurosawa (que virou o filme "Kairo"). Não vi o filme original, apenas alguns videos no youtube. Me pareceu bastante parecido com o americano... algumas cenas eu poderia até dizer que o diretor Jim Sonzero copiou do original... Enfim, o fato é que mais uma vez vejo uma história bacana que foi "assassinada"  no cinema. Penso que as histórias japonesas são melhores se contadas (como os causos que ouvi tanto quando criança no interior) do que se transformadas em filmes. Penso o mesmo de "O chamado", "O grito", "Espíritos" e outros filmes japoneses que foram adaptados pelo cinema americano. Creio que se tivesse ouvido essas histórias sentada em volta de uma fogueira, teria arrepiado de medo.
Voltando a falar de PULSE, é um filme sem muitos sustos e sem muitos momentos de tensão. Não é um daqueles filmes que ficamos presos na poltrona, tensos... Há alguns momentos de susto: sim, mas só para os mais desavisados e que se assustam falcilmente. Vale a pena ver? Bom, se você gosta de terror oriental, sim. Se entende um pouquinho de redes e frequencias eletromagnéticas e gosta de teorias de conspiração: também. Agora se você é fã do bom e velho filme de terror, repleto de suspence, sustos e sangue: não perca seu tempo.
Pelo que vi na internet (só agora depois de tê-lo comprado e visto) é que muita gente não gostou. Mas também há quem o defenda.



Em breve: HANNIBAL
(A ideia é falar de meus vilões preferidos).

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Orphan (com spoiler)


Assisti esses dias o filme “A Órfã”, do espanhol Jaume Collet-Serra (diretor do dispensável remake “A casa de cera”). Apesar da nacionalidade do diretor este é um filme holliwoodyano (bem como seu anterior já citado). Isso é um detalhe que parece pequeno, mas não é. Mais a frente, no texto, falarei mais sobre isso.
Começo dizendo que gostei do filme. É uma boa opção para aqueles que gostam de filmes de suspense e dramas familiares. Mas pra mim e minha humilde opinião, não se trata de um filme de terror como é anunciado.
As primeiras cenas até nos fazem pensar que será um filme de terror. Sangue, imagens que se tornam difusas... Mas não. Kate é uma mulher que perdeu há pouco tempo seu bebê que ainda estava na barriga, passando por uma situação traumática, já que teve que carregar a criança morta em seu ventre. Depois de discutir com seu marido, resolver adotar uma criança para que o amor que tinham para dar a essa filha fosse dado à outra criança (detalhe, eles já são pais de duas crianças: Max, uma garotinha surda (ah, a menininha que faz a Maxine é realmente surda) e Daniel, um garoto pré-adolescente. Uma questão que me incomodou no filme (achei uma falha no roteiro) é o fato deles irem ao orfanato onde encontraram Esther apenas uma vez (ok, podem ter ido mais vezes e no filme mostraram apenas uma vez) e pior, como assim... eles tem dois filhos, vão adotar uma criança grande (Esther tem 9 anos) e não levaram as crianças para conhecê-la! Não fizeram uma adaptação e já foram levando uma criança desconhecida pra casa (não tinham histórico da garota no orfanato... sabiam apenas que a família que tinha adotado a menina anteriormente tinha morrido em um incêndio e que ela era russa).
Levam a menininha fofa pra casa. Ela é super estranha, mas os novos pais acham isso lindo no começo da história. Não há nada errado em ser diferente, dizem. Out ra coisa meio boba no filme é que a desconfiança em relação à menina começa quando ela vê os “pais” transando na cozinha e Kate vai conversar com ela, toda jeitosa, envergonhada, com a intenção de explicar a Esther que os adultos, quando se amam, fazem isso! E ela responde que sabe... que os adultos “fodem”. Kate fica assustada com o palavrão usado por ela, como se nenhuma criança falasse palavrão... Isso faz com que ela queira saber a origem da menina... É a primeira vez que ela sugere que deveriam saber mais do passado da menina... Hello! Eles a adotaram... deveriam ter feito isso antes! Também tem uma cena (não me lembro agora se é antes ou depois da transa dos pais, acho que antes), em que Dany está atirando em bonequinhos de plástico e alvos, com uma pistola de paintboll e, vê uma pompa. Ele mira, atira e acerta. O pássaro cai machucado. Ai aparece Esther (e, o que pra alguns pode parecer uma mostra de sua maldade me pareceu mostra de bondade – porque eu acho que ela fez a coisa certa – eu acredito que teria feito a mesma coisa). Ela vê o animal machucado e recrimina Dany. Pega uma pedra e oferece para que ele mate o bichinho pra acabar com o sofrimento dele, que morreria ali de qualquer maneira naquela situação. Dany não tem coragem de fazê-lo, então a menina pega a pedra e, com a maior naturalidade esmaga o pássaro. Está certo, a frieza com que ela faz aquilo é um sinal de que ela é má... mas não sua atitude. Repito, concordo com a atitude dela. Acho que Dany foi mais malvado ao atirar no pássaro.
Meu texto continuará cheio de spoiler, então, se você não viu o filme ou se não quer saber mais, pare por aqui. (Darei outra chance de parar antes de revelar o final do filme).
Há várias outras cenas cheias de maldades da menininha fofa. O interessante é que a mãe começa a desconfiar e o pai não – o que gera uma instabilidade na família (bom... se é que existia uma estabilidade antes de Esther! Pelo que parece o casamento deles já não estava 100%).
Algumas cenas me lembraram muito o filme “Anjo Malvado”, sobretudo a que ela empurra uma menina do alto de um escorregador num parquinho. Esther consegue cativar as pessoas, mas Kate e Dany não se deixam levar pelos seus encantos. Max no começo se encanta, mas quando percebe que a irmã faz maldades, esconde suas maldades por medo. Tadinha dessa menina. Ela ajuda Esther a matar a freira (uau, que cena foi aquela!!! Digna dos mais frios vilões do cinema. A menininha arrebenta! Bom, isso me faz pensar em outras coisas, como por exemplo, como eles fizeram para gravar o filme... o que fizeram pra essa menina! Coitada da criança!). Ah, também tem uma cena de roleta russa que dá um frio na barriga... e muito dó da menina surda.
Resumindo bem a história, Esther mostra quem é: uma maluca psicopata. Adoro a cena em que ela conversa com o pai e fala que a mãe não lhe ama tanto, já que deve ser difícil amar uma criança adotada tanto quanto um filho de verdade. Ai ele diz para que ela agrade a mãe. Nooossa... cena ótima! Ela chega toda fofa escondendo algo atrás de si e diz que tem uma surpresa pra mamãe! A surpresa é um bouquet de rosas... mas não são rosas comuns. Ela tinha cortado a roseira que Kate plantou quando seu bebê morreu. Nela jogou as cinzas da criança e cuidava daquelas rosas com muito amor – pq seriam uma maneira da filha estar ali, viva, ao lado deles. Esther sabia disso. Fez de propósito. Kate a puxa pelo braço com força... Pronto, a fofíssima tem uma carta na manga. Quando todos já estão dormindo vai até um quartinho onde o pai coloca ferramentas e, com muito sangue frio, quebra o próprio braço. Volta pro quarto e começa a chorar chamando pelo pai, dizendo que seu braço ainda doía. Claro que ele percebe que há algo errado. Vão para o hospital: a mãe malvada quebrou o braço da pobre menina. Ai os problemas todos começam a cair sobre a mãe, como se ela fosse a culpada por tudo. Ela que não estava preparada para adotar uma criança. Ela que não era uma boa mãe.
Apesar de Maxine saber que tinha sido Esther quem soltou o freio de mão que fez com que o carro andasse e quase a matasse, não teve coragem de contar... e a culpa: da mãe que não puxou o freio de mão. Quando Dany vai até a casa da árvore em busca das provas contra Esther ela o pega, o tranca lá dentro e ateia fogo no lugar – ele consegue escapar mas cai e fica bem machucado. Ninguém culpa Esther. Max viu e sabia que era ela, mas não tinha coragem de falar nada. Todos vão ao hospital. Lá, claro, a fofa da Esther tenta matar o menino, sufocando-o com um travesseiro. Max tenta alertar os pais, mas chega tarde. O menino já estava morrendo – teve uma parada cardíaca (ok... filme hollywoodyano, lembra?! Nada de matar criancinhas! O menino não morre), mas a mãe (malvada mãe! Pensam todos) sabe que foi Esther e dá um tapão em seu rosto... daqueles bem dados! Todos ficam atordoados e ela (Kate) é sedada e também fica internada no hospital. O pai e a menina, então, voltam pra casa.
Acontece que, enquanto acontecia a cena de Dany tentando encontrar as pistas pra desmascarar Esther, a mãe está buscando pistas sobre a menina. Kate tinha encontrado a Bíblia que ela usava (e não desgrudava) e lá viu o nome de um instituto. Procura este instituto na internet e liga pra lá. Descobre que não se trata de um orfanato, mas de um hospital psiquiátrico. Manda pra eles a foto da menina e seus dados pra tentar descobrir algo sobre ela. Quando está no hospital seu celular toca e eram de lá do tal instituto... e ai fazem a nefasta revelação (MEGA SPOILER!) Esther não é uma garotinha de 9 anos. Ela tem 33 anos e sofre de uma doença rara que faz com que o corpo não se desenvolva. Por isso ela finge ter eternos 9 anos. Contam também que ela é altamente perigosa e que lá, várias vezes era presa em camisas de força (que a deixaram marcas no corpo – ahan... por isso ela sempre usava aquelas faixas horríveis no pescoço e nos punhos)... enquanto isso acontece, lá na casa, a menina se veste de maneira estranha (ah... nesse momento ainda não sabemos que ela não é uma criança). Coloca um vestido sexy que tinha feito customizando uma roupa de Kate... pinta os olhos e passa um mega batom vermelho. O pai, agoniado com tudo, bebeu várias taças de vinho e estava meio grogue. Ai ela chega e se assanha pro pai. Pronto, vai rolar uma cena de pedofilia, você pensa! Mas não... estamos em Hollywoody, não se esqueça... Ele fica bravo e sua ficha começa a cair (até que enfim). É então que temos a tal revelação: ela não é uma criança. Aí vemos a menina se mostrar... Enquanto o pai descobre seus desenhos sombrios feitos com tinta que só é vista com luz negra, Esther tira seu disfarce de criança... os dentes postiços que encobrem uma dentição meio podre, de uma mulher de mais de trinta e não de uma menina de 9 anos – ahá... é por isso que ela não queria ir ao dentista (e o pai besta concordou sem relutar!!! Ai que pai babaca!!!), pequenos seios... Incrível que sua feição muda muito... Parece outra pessoa. Essa é Esther, a verdadeira Esther (quer dizer Leena – esse é seu nome verdadeiro). Enquanto Kate foge desesperada do hospital em direção a casa – já que sabia que o marido corria perigo, ela o mata... uau... outra cena em que a menina se mostra cruel. Depois de você gritar pra si mesmo mais de mil vezes: liga pro 911 sua besta, Kate liga pra polícia. Quando chega na casa encontra Esther. A coitadinha da Max consegue escapar por pouco. Ai é claro tem a cena final, com recursos bem tradicionais desse tipo de cinema: claro que, quando a polícia chega no local o corpo de Esther não está lá... Ela tinha levantado como qualquer bom vilão de filmes de terror. E, é claro foi onde estavam as duas... Susto e uma luta entre as duas mulheres... caem no lago congelado e (mega previsível) ele racha e as duas caem na água gelada. A última cena de Esther também me pareceu “Anjo Malvado”... só que não se tratava de um abismo, mas de um lago... Esther olha pra ela, tentando fazer cara de piedade e diz “Mamãe” e Kate dá voz a nossa vontade e fala que não é a “porra” da mãe dela e lhe dá uma bicuda na cara! Esther cai... morre.
Lembrem-se que nenhuma criança morre no filme... Afinal, Esther não conta.
Apesar de ter criticado algumas partes do filme, gostei dele (como já disse no começo do texto). Não é um filme excelente, mas é muito bacana. Vale a pena gastar duas horas de sua vida com ele (sobretudo pela atuação das crianças).
Fico pensando o que será que o diretor fez com elas? Um dos meus filmes de terror preferidos é “O Iluminado” (filme que também tem uma criança, um menino incrível). Num documentário sobre o Kubrick eu vi que ele só soube que tinha feito um filme de terror quando o filme estreou. Usaram vários jogos pra conseguir os efeitos... e, vocês devem concordar comigo... ele manda muito bem! Bom, espero que as crianças desse filme tenham passado por algo parecido.