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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A filha do mal

Apesar de já estar de saco cheio com os falsos documentários (mockumentary) que, infelizmente pipocaram no gênero de terror, fui assistir "A filha do mal".
O filme que estreou no começo de fevereiro nos Estados Unidos em primeiro lugar nas bilheterias (arrecadando U$34 milhões) não fez tanto barulho por aqui (pelo menos não que eu tenha percebido).

Estrelado pela brasileira Fernanda Andrade, o longa não traz nada de novo, o que é uma pena! O cinema de terror está tão carente de boas produções que faz com que pessoas como eu, cada vez mais, olhem os filmes do passado como grandes obras de arte - mesmo que sejam medíocres.


A história é relativamente simples: uma moça chamada Isabella (a brasileira) é filha de Maria (que matou de forma muito estranha, três pessoas há 20 anos). Fica sabendo que a mãe matou tais pessoas durante um exorcismo feito nela (apesar de a igreja não assumir tal fato) e assim, ela resolve investigar o que realmente aconteceu. A mãe estava internada em um hospital psiquiátrico em Roma e, sendo assim, Isabella parte pra lá na companhia de um cinegrafista para gravar um documentário a respeito de sua mãe. Apesar das negações, a ideia de que Maria vive possuída permanece na cabeça de Isabella.
Em um curso sobre exorcismo no Vaticano ela conhece dois padres que fazem exorcismos sem autorização da igreja.
E ai as coisas ficam meio obvias! É claro que Maria está possuída... não por um, mas por vários demônios. É claro que eles não são fortes o suficiente para salvar Maria (e nem a eles mesmos).


O filme é fraco, previsível, nem um pouco assustador e, pra piorar a situação tem um final péssimo. Além disso, no começo parece um documentário montado e editado e depois se transforma em um monte de colagens... Pra mim esse é um erro grosseiro de direção e edição. Como assim? Pelo menos isso eles deveriam ter mantido! Ou ser editado inteiro ou em nenhum momento.

Alguns pontos  conseguem salvar o filme (por alguns minutos): a atriz Suzan Crowley, que faz Maria - que se destaca muito dos demais... e o som (claro que isso só será percebido no cinema ou em uma casa com boa aparelhagem). A espacialização do som ajudava a plateia ter alguns sustos... em um momento, chegamos até a achar que tinha acontecido alguma coisa na sala de projeção.


A história em si não é ruim. O que me irritou foi o fato deles fazerem nesse estilo de mockumentary. Poxa, chega!!!! Eu sei que eles fazem pra ganhar dinheiro (o filme custou US$ 1 milhão e, como disse, faturou US$34 milhões só na estreia nos EUA). É uma mina de ouro!!! Mas poxa, cadê a criatividade? Cadê o respeito aos amantes do gênero?

Outro comentário é em relação ao final ruim. Foi algo bobo e que me deixou com medo!!! Calma, não medo do filme em si, mas medo de que possa gerar uma continuação!!!

Pra quem nunca viu um filme de exorcismo, ok! Pode ser uma experiência legal... mas não foi pra mim! (E olha que fui totalmente na boa, sem nenhuma expectativa).

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Atividade Paranormal 1, 2 e 3.

Esses dias fui no cinema ver Atividade Paranormal 3. Tinha lido críticas boas e resolvi conferir.
Bom, começo dizendo que achei o primeiro filme uma bomba (conforme comente num post mais antigo).


Agora, decidi escrever alguma coisa sobre a série como um todo (já que pulei o 2).


Depois de ver AP2 e AP3, confesso que achei a ideia interessante. Tem seus problemas, mas é bacana.
No primeiro filme, Micah me dava nos nervos. Sua mania de filmar tudo era absurdamente falsa e não conseguiu me convencer em nada, mas nos outros dois filmes as câmeras não são tão forçadas, e além disso também tem o fato de que se a pessoa não leva a câmera, não saberemos o que está acontecendo... ou seja, existe uma certa "licença poética"! hahahahahaha!


O fato é que no segundo, as câmeras são instaladas para proteger a casa de um suposto invasor (vândalos, ladrões...) o que faz muito mais sentido e no terceiro, as câmeras são colocadas para conferir o que está acontecendo (como no primeiro), mas Dennis é um profissional que vive de filmagens e não fica andando com a câmera o tempo todo, ele coloca câmeras em pontos estratégicos da casa.


Bom, a sequencia vai em uma crescente. Pra mim, o dois é melhor que o um e o três é melhor que o dois. Oh, que coisa rara! Mas é isso mesmo! (bom, em minha humilde opinião). Ah, tem gente que prefere o primeiro... mas é como eu disse, é só minha opinião.
Bom, vou contar com alguns spoilers... portanto, se ainda não viu os filmes, para de ler... ok! (a não ser que não se importe com spoilers).











No dois conhecemos um pouco mais sobre os personagens (as ações começam 2 meses antes do primeiro filme). Somos apresentados a Kristi (irmã de Katie - AP1). Ela é casada com Daniel, que é pai da adolescente Ali. Juntos tiveram o pequeno Hunter.
Um dia quando todos estão fora, a casa é invadida (e revirada). Eles não percebem a falta de nada (apenas de um colar que Katie tinha feito para Kristi), mas ficam amedrontados e resolvem instalar câmeras de segurança pela casa.
Coisas estranhas começam a acontecer, mas Daniel é muito sético e nem vê as imagens gravadas para ver se descobre alguma coisa. Katie e Kristi conversam sobre alguma coisa que teria acontecido quando elas eram crianças... Katie não gosta de falar sobre isso e Kristi diz que não consegue se lembrar direito, só do medo que sentia (relacionado ao filme 3), mas sente que está acontecendo novamente.


As "assombrações" vão se tornando cada vez mais intensas... Alguns sustos, algumas cenas boas!
Mesmo com tantas evidências Daniel não quer acreditar!
Até que um dia a "coisa" começa atacar a sério. Primeiro foi a coitada da cadela! Coitada mesmo! Detesto quando animais sofrem (e olha que lá nem aparece, só ouvimos!!! Isso é legal, isso é "realismo", já que a cachorra não pegaria a câmera para filmar! hehehehe). Todos acordam com os berros do animal. Daniel e sua filha vão levar a cadela que está toda estranha, quase morta até o veterinário e Kristi fica em casa com Hunter (e acontece uma das melhores cenas desse filme, quando ela tenta pegar Hunter no berço e uma força a puxa para fora do quarto e pela escada... ela tenta se desvencilhar, mas é puxada novamente para fora do quarto, com mais força... e trancada no porão). Depois disso, ela pira.


Depois de ser convencido por sua filha que a casa estava com forças malignas (ela o obriga a ver algumas imagens gravadas), ele percebe que sua esposa estava possuida por alguma coisa... ela quase o mata.


Enfim, tudo parece ter se resolvido... se acalmado depois que ele consegue pegar sua esposa (com a ajuda de uma "mandinga" que a empregada latina (a quem ele ligou pedindo socorro) tinha ensinado (ah, por falar em empregada latina, ela foi a primeira a perceber o perigo, mas ele a demitiu por isso... Ele ficou louco da vida porque, um dia, ela estava "defumando" a casa).
A "mandinga" era a de mandar o mal para outra pessoa... no caso, já sabemos para quem foi, não é mesmo?
Bom... parece que tudo tinha acabado ali naquela casa.
Vemos então uma cena entre Katie e Kristi... Katie comenta que coisas estranhas estavam acontecendo na casa dela (referência ao primeiro filme), mas Kristi a lembra de não comentar... que atrai.


Ou seja o espírito estava com Kristi, mas depois do que Daniel faz, vai para sua irmã Katie!


A licença poética nos leva até a câmera de Micah (sua nova câmera... que aparece no 1) e Katie chegando em casa.
Então o letreiro nos mostra que Micah morre dia 8 de outubro. No dia 9 de outubro vemos novamente as imagens das câmeras de segurança da casa de Daniel e Kristi. Kate aparece ensanguentada (o que realmente apaga a ideia que eu tinha achado melhor do primeiro filme, de que ela se mata... ops, contei! E assume a versão dos cinemas - a do susto - ela joga o corpo de Micah na câmera!) vai até Daniel e ops... sobre até o quarto onde Kristi está com Hunter. Joga a irmã longe e pega o bebê.


Somos informados que no dia 12, a adolescente Ali está voltando de um passeio escolar e encontra os corpos do pai e da madrasta... mas não o de Hunter.


Bom... esse é o final da série, ok! Sim isso mesmo!!!
Para os desavisados, o terceiro filme é anterior aos outros dois... conta como as coisas começaram na vida dessas duas irmãs. Pretende, portanto, mostrar a origem do mal.


As primeiras cenas do filme se passam antes de AP1 e AP2. Kate vai visitar a irmã Kristi que está grávida. Elas encontram uma caixa que pertencera à avó, repleta de fitas VHS... muitas fitas, todas com datas e nome de cômodos. E resolvem ver. Bom, quem as vê somos nós!


Somos levados aos anos 80 (20 anos antes dos acontecimentos dos filmes anteriores). Katie e Kristi são crianças.
Cenas de família (bem comuns nos anos 80!)... e então Dennis resolve filmar ele e a esposa fazendo sexo... Bom, fiquem tranquilos que não seremos obrigados a ver senas de sexo (ah... que pena, alguns pensarão! hehehehe). A tal filmagem é interrompida por uma espécie de terremoto.
Quando Dennis vai conferir o que a câmera captou, ele percebe algo muito estranho... como se alguém estivesse ali no quarto... o pó encobre uma espécie de "vulto".
Além disso, a pequena Kristi (que é brilhantemente interpretada pela jovem Jessica Tyler Brown!) diz que vê um tal de Toby, que todos acham que é seu amigo imaginário... até ai, normal... afinal, muitas crianças da idade dela dizem que tem um amigo imaginário. Só que Toby não é exatamente muito amigável e proibe a menina de comentar sobre ele...
Pois é... esse tal de Toby vai dar muito trabalho para essa família.


Esse terceiro filme é muito mais movimentado e repleto de sustos e cenas bem tensas. Como já mencionei, Dennis instala algumas câmeras pela casa para tentar descobrir o que está acontecendo. Uma delas é brilhantemente acoplada em um ventilador, ou seja, ela gira e consegue filmar a sala e a cozinha. Mas o movimento é relativamente lento e ficamos todos apreensivos com o movimento, curiosos para saber o que estará lá.


Nossa, como as meninas sofrem... Coitadinhas! Sobretudo a pobre Katie, que é um pouquinho mais velha. Ela não acredita em Toby (de início) e acha que é infantilidade da irmã... mas vai descobrir na pele que é verdade. Bom, ela não era tão pequena assim... e com certeza lembraria de tudo o que aconteceu. Isso me faz achar o primeiro filme ainda mais bobo. O problema é que parece que quando ele foi feito, não existia uma ideia mais complexa - como a que somos apresentados nos outros dois filmes). Bom... pra não perder o encanto, vou imaginar que a pobre Katie ficou tão traumatizada que seu cérebro bloqueou certas lembranças... O que não é de todo absurdo!


Com o desenrolar da trama descobrimos que a avó das meninas participava de um coven (grupo de bruxaria) e que tinha alguma relação com tudo - incluindo a morte de sua própria filha e seu genro. Ela cuidaria das meninas...

Bom...

No segundo filme, Ale pesquisa sobre espíritos e demônios e descobre que eles poderiam estar sendo assombrados por uma espécie de demônio (o que também é comentado no primeiro filme). Ale encontra uma teoria de que algumas pessoas fazem pactos com o demônio para obter poder ou riquezas... mas que precisam sacrificar uma criança (o primeiro menino) para pagar a conta. Bom... eles ali são todos ricos! A casa que Katie e Micah moram é imensa! No segundo, eles vivem em uma casa enorme, cheia de luxos. Daniel é dono de algumas lojas do Burguer King... ainda assim, será que isso seria suficiente para o luxo ou uma parte do dinheiro viria de Kristi?
Ah, Katie dirige um super carro conversível... que, bom... deve custar bem caro! (isso aparece no 1 e no 2).
As duas não trabalham!
No terceiro filme, Julie, a mãe das meninas também não trabalha e é casada com um "filmador" de eventos sociais... Sua mãe, em uma cena, comenta sobre ele não ganhar dinheiro... Bom, se ele ganha pouco e eles vivem com todo conforto, presuminos que o dinheiro é dela.
Ou seja, provavelmente sua mãe fez algum pacto com o "coisa ruim" para ter muito dinheiro. Mas teve só uma filha! E sua filha teve duas filhas!!! O primeiro homem da família (como constata Ale pesquisando a árvore genealógica de Kristi) é Hunter: o que faz muito sentido.
Ainda assim, porque matar (ou permitir que matassem) a própria filha?
Pelo que as irmãs conversam no segundo filme, a avó deve ter dito a elas que a mãe enlouqueceu, porque Katie comenta com Kristi que ela precisa não dar bola pro que está acontecendo pra não ficar igual a mãe!

Ai ficam algumas pontas soltas (ótimas pros produtores que, certamente, já estão providenciando mais uma sequencia). Por exemplo, o que aconteceu a avó? (Ok, sabemos que ela morreu... uma das duas, não me lembro... acho que a Kristi, comenta no começo do terceiro filme). Mas morreu como? E o que ela fez com as meninas depois do fim do terceiro? O que ela disse às meninas? Como explicou tudo?
Além disso, para onde Katie levou o pequeno Hunter? Será que ela o matou?
O que Ale fez? Será que simplesmente se conformou ou foi atrás de uma resposta? (Já que estava muito curiosa sobre tudo).

Bom... aguardemos o próximo Atividade Paranormal!

Ah, queria fazer mais um comentário. Como detesto adolescentes no cinema!!! #prontofalei!
Eles gritam a toa, e na maioria das vezes só pra atrapalhar quem está tentando ver o filme e curtir.
Meu problema, na verdade, não são exatamente os adolescentes... mas os adolescentes malas! hehehehehe!
Se não fosse por um bando deles, dos mega sem educação, provavelmente eu teria curtido ainda mais o filme!

Ah, mais uma vez algumas cenas que aparecem no trailer não estão no filme! Entre elas a do "bloody mary"... bom, tem uma cena parecida - muito boa, por sinal - mas não é a do trailer! ;)

Bom sustos pra vocês!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

REC


REC é um filme espanhol de 2007 dirigido por Jaume Balagueró e Paco Plaza que traz a ideia de um falso documentário. Uma reporter, Angela, e seu operador de câmera pablo estão gravando um programa para uma tv local de Barcelona (o fictício "enquanto você dorme"). Naquela noite, Angela estava cobrindo uma noite com o corpo de bombeiro, para registrar o cotidiano desses homens. No começo tudo está bem, calmo até demais, e Angela aproveita pra registrar coisas comuns do batalhão, como o local em que eles comem, descansam, se distraem e se exercitam. A repórter espera ansiosa por uma chamada, já que a equipe de tv irá acompanhar os bombeiros na "aventura". Um bombeiro até explica pra ela que, muitas vezes, os chamados são coisas bem simples, como resgatar animais de estimação, por exemplo.


A sirene toca. Uma chamada para a equipe atender. Não é um incêndio, por isso só uma pequena equipe se desloca para atender a ocorrência. Angela e Pablo vão com eles.
Eles chegam a um pequeno prédio de apartamentos. Os vizinhos contam que chamaram socorro porque ouviram muitos gritos vindo do apartamento de uma senhora idosa. A polícia também já tinha chegado e, todos (policiais e bombeiros) foram até o apartamento para resgatar e prestar socorro à mulher. Claro que Angela e Pablo acompanham os profissionais, mesmo com reclamações dos policiais.
Quando eles chegam no tal apartamento, as coisas começam a acontecer! O filme começa a esquentar!!! A velha está toda suja de sangue e, quando um policial tenta acalmá-la, ela pula sobre ele, alucinadamente, como um animal feroz... arrancando pedaços.


A tensão vai aumentando. Eles não conseguem sair do prédio porque as autoridades isolaram o local. Mesmo com um policial gravemente ferido, ninguém pode sair dali. O pânico se instaura.
O prédio estava infectado por alguma coisa terrível, uma espécie de "raiva" super forte, que era transmitida pela saliva e que transformava os infectados em monstros violentos.
Ninguém consegue entender o que está havendo, até que o governo manda um agente sanitarista para colher amostras de sangue dos moradores e de todos que estão lá dentro para saber quem poderá sair... mas é claro que as coisas saem do controle.


As cenas que vemos são todas da câmera de Pablo, como se realmente tivessem acontecendo de verdade.
O que posso dizer é que os espanhóis conseguem trazer o clima de realismo que alguns outros filmes nesse estilo não conseguem (como o aclamado - mas bomba na minha opinião - "Atividade Paranormal").
Quando "Bruxa de Blair" surgiu, confesso que cheguei a acreditar na possibilidade daquilo ser real (eu não tinha internet em casa, e mesmo que ela já existisse, o acesso às informações era bem mais limitado que hoje), agora com REC, mesmo sabendo que é um filme (assumidamente um filme), temos a impressão de realismo. Os atores estavam muito bem e, segundo algumas revistas sobre cinema, algumas cenas foram filmadas sem que eles soubessem, para dar mais realismo ainda (como por exemplo o momento que um bombeiro cai das escadas. Aquele susto foi real!).


Gostei muito de REC. É um filme relativamente simples, mas conseguiu manter minha atenção. Ok, é um filme curto... e o bicho começa pegar mesmo só depois de um tempo... ainda assim, fiquei ligada nele o tempo todo. Consegue ser envolvente, assustador, nojento... conseguiu me dar uns sustos! (eu gosto de ser assustada vendo filmes de terror! hehehehehe).


Pra variar, os americanos ficaram com invejinha e fizeram uma cópia (Quarentena, de 2008) - os americanos vivem fazendo cópias de filmes bons de outros países (como o espetacular "Deixa ela entrar", e tantos outros orientais).

Há uma sequência (REC 2, de 2009), REC 3: Gênesis que parece que vai estrear em janeiro de 2012 e já um quarto filme também.

Vale a pena assistir!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O último exorcismo

Antes de qualquer coisa, gostaria de deixar claro que este blog não se pretende ser um veículo de críticas e análises profundas sobre filmes de terror. É apenas um lugar em que venho e escrevo sobre algo que gosto do jeito que eu quero - afinal, a liberdade da internet me permite isso.
Ontem fui assistir o comentado (tanto pelo bem como pelo mal) ÚLTIMO EXORCISMO. Sai de casa sem muitas expectativas, afinal já tinha lido várias críticas negativas e, apesar de ter lido e ouvido coisas positivas também, achei melhor somente me sentar na frente da tela e esperar para tirar minhas próprias conclusões.
Já aviso que este post terá spoilers, pois não posso deixar minha opinião se não colocar alguns.


O filme se pretende ser um falso documentário (o que na minha opinião já é uma ideia bastante batida), mas  ok... por que o que vemos não é uma fita "encontrada", mas um documentário editado, com créditos, trilha sonora e edição. Ok, isso não me incomodou.). Ele começa com a história do reverendo Cotton Marcus, um pastor celebridade que atrai muita gente pras suas pregações pelo seu estilo engraçado, empolgante e alegre. O fato é que ele não acredita mais naquilo tudo mas mesmo assim, continua (já que, como ele mesmo diz, se acostumou e tem uma família para sustentar). Acrescente a isso o fato dele ser um exorcista.
É bem interessante o ponto de vista dele sobre isso, já que não acredita nisso. Pra ele o exorcismo é muito mais como um placebo, mas algumas pessoas precisavam daquilo, por acreditar que realmente estavam possuídas. E por isso ele continua fazendo. Dos tantos exorcismo que acontecem no mundo todo (feitos por pessoas de várias religiões) alguns não são bem sucedidos. Um garotinho tinha morrido asfixiado em um (que não tinha sido ele que fez), mas aquilo o deixou mal. Ele tinha um filho da mesma idade e começou a ter pesadelos em que ele, em um exorcismo, sufoca o próprio filho com uma sacola plástica. - Todas essas coisas são contadas por Cotton no documentário (não tem cenas de flash back).
Ele recebia muitas cartas de pedidos de famílias desesperadas e resolve levar o grupo de documentaristas com ele para mostrar como realizava o exorcismo, para mostrar como tudo era uma farsa, mas que funcionava.
Saem, então, para encontrar a família Sweetzer (formada por 3 pessoas: Louis, o pai - um cara super crente e cristão ortodoxo; o filho Caleb, um adolescente super estranho e a filha Nell, a supostamente possuída). Louis perdeu a esposa anos antes e desde então cria sozinho seus dois filhos. Comenta sobre a dificuldade em fazer isso e revela que tirou Nell da escola para educá-la em casa. A garota matava animais durante a noite e não se lembrava dos feitos na manhã seguinte...
Reverendo Cotton decide realizar o exorcismo (e usa de todo seu arsenal de charlatanismo para mostrar como ele acontece - isso inclui gravações em latim, sons de demônios, anéis que dão choque, um crucifixo que solta fumaça, fios fazem com que coisas balancem...). Depois do "show", e de tudo parecer bem e resolvido, eles vão embora pra um motel e, no meio da noite... do nada, a menina Nell aparece no quarto de Cotton. Ela passa mal (vómito) e eles a levam pra um hospital. O pai não autoriza a realização de testes psiquiátricos por não acreditar na medicina tradicional (já que esta não conseguiu salvar sua esposa), acredita profundamente que a menina continua possuída. Cotton se desespera por acreditar que a menina sofre graves transtornos psicológicos... e essa crença é acentuada, quando ligam do hospital dizendo pra suspender um dos remédios prescritos, já que quem os prescreveu não sabia que a menina estava grávida! Pois é... grávida!
Cotton e a equipe acreditam que ai é que mora o problema da garota: foi estuprada pelo próprio pai (que, convenhamos, é mais maluco que ela... além de ser um bêbado). Os acessos de fúria da menina continuam e a preocupação por seu bem estar só aumenta. Cotton sente-se responsável por ajudá-la.
Contam pro pai sobre a gravidez e ele, crente até o fim, acredita que sua filha foi "profanada" pelo capeta. Não quer, de jeito nenhum, acreditar que ela possa ter problemas mentais. E... claro, não assumiria tê-la engravidado caso o tivesse feito.
Caleb é atingido pela menina em outro acesso de fúria (ela o corta no rosto) e escreve um bilhete desesperado para Cotton - "Não a deixe sozinha com ele". Isso acentua as suspeitas do reverendo e da equipe técnica sobre Louis.
Ah, já ia me esquecendo: a menina faz uns desenhos meios estranhos (ela diz que não se lembra de tê-los feito...)


Enquanto o pai está com o filho no hospital (pra "arrumar" o estrago feito pela menina), Nell tem outro acesso... levanta da cama, rouba a câmera deles (que estavam dormindo), vai até o celeiro e mata um gatinho (é a cena mais "forte" do filme). O pobre bichano é morto com a câmera... sim, ela bate várias vezes nele com a câmera, que fica ensanguentada. Depois volta pra casa e tenta se aproximar de Cotton, mas é surpreendida pela equipe. Todos acordam, percebem o que aconteceu... (eles assistem o que ela gravou... isso não aparece, mas sabemos disso porque comentam sobre o gato). A menina é trancada no quarto...
O pai chega e se desespera com a situação e diz que se eles não forem fazer o exorcismo, devem sair de sua propriedade que ele mesmo resolverá tudo do jeito dele (detalhe: matando a menina, já que Cotton diz, no começo, que só existem duas saídas para se livrar daquele demônio: o exorcismo ou a morte).


Cotton resolve ajudar (para tentar salvá-la) e vão todos para mais um exorcismo. Só que dessa vez, a menina se contorce toda... (e faz aquele movimento do cartaz! Nossa... quanto alongamento! - Já que comentam por ai que a atriz Ashley Bell fez todas essas posições sem precisar de dublês ou efeitos especiais!). Cotton questiona o tal demônio que fala pela menina... dizendo ser só uma criança que não sabe o que fala. Depois de alguma enrolação e nenhum clímax, aparece na fazenda o pastor da cidade com sua ajudante (que tinha algumas diferenças com Louis, mas que mesmo assim resolve ajudar a família); estão todos no quarto conversando sobre a gravidez dela... e a menina comenta sobre um Logan, menino que trabalhava na fazenda e que a seduziu. Tudo parece ter se resolvido. Ela desabafou, e agora poderá ficar mais leve e tranquila.
Mas Cotton, antes de ir embora, decide procurar o tal Logan... nisso descobre que ele é gay e que só a viu uma vez, há uns meses numa festa da igreja.
Bom... mas como se ela não ia mais a igreja? Ou ela ia e mentia pro pai? Será que ela estava escondendo alguma coisa? Será que era realmente o pai o maluco que a engravidou? Ou teria sido outra pessoa? O irmão Caleb?
Intrigado, Cotton decide voltar à fazenda... apesar da equipe não estar a vontade. Voltam. A casa está vazia... mas percebem que foi toda "profanada" com símbolos satânicos (pentagramas e outros símbolos que já vi em livros de bruxaria). Mas a casa está vazia. Ouvem gritos e percebem uma fogueira.
Oh! Há uma galera ali, no meio do mato realizando uma espécie de ritual satânico conduzido pelo pastor!!! Nell está amarrada a uma mesa (altar) e seu pai, vendado, amarrado a uma árvore. O pastor (e satanista?)  retira da menina um feto (aborto?) que diz ser o demônio! Joga o bebê (que é tão pequeno que mais parece um feto mal formado) na fogueira e o fogo aumenta. Cotton decide ir até eles e, aparentemente em dúvida (Oh, será que é tudo verdade! Será que essas coisas realmente existem!) pega seu crucifixo e vai lutar contra o demônio. Os outros dois da equipe tentam fugir mas são capturados pelos fanáticos.
E é isso.
O cameramen corre, corre, corre... A câmera filma o chão, tá escuro (muuuuuito Bruxa de Blair) e, quando para, vira pra olhar pro outro lado e vê Caleb (sim, o irmão estranho) com uma faca... e este corta sua cabeça (é o que parece) e a câmera cai. Acabou o filme.

Bom, pra mim é um filme quase bom. Tinha tudo pra ser bom. A ideia era boa... (apesar de não ser inédita). Esse negócio de questionar a fé, o fanatismo, de mostrar o charlatanismo de padres e pastores... de nos fazer ficar na dúvida sobre a veracidade dos fatos... Se Nell estava realmente possuída ou se seus problemas vinham de questões psiquiátricas (causados por abuso sexual, a morte da mãe, o isolamento).
Pra mim o filme "cagou no pau" em fazer o fim como a gatota tinha previsto em seus desenhos. Isso tirou a possibilidade da dúvida (que na minha opinião teria sido muito mais interessante, gerando várias discussões). Ok, o gatinho que ela desenha... beleza. Afinal de contas, foi ela que matou o bichano e aquilo poderia ter sido um ato inconsciente. Mas ah... colocar Cotton com o crucifixo cercado pelo fogo! Ah... foi exatamente assim sua última cena! E a moça em pedaços e o cameramen decapitado! Ah... me decepcionei (e... nem mostraram as cenas, pelo menos se mostrassem teriam agradado a galera que gosta de sangue nos filmes).
O fato é que pra mim teria sido muito mais legal se a gente tivesse a dúvida reforçada. Eu, por exemplo, quando vi o pastor ali, conduzindo um ritual pensei: que legal! Foi ele quem estuprou a menina!! Legal, o filme vai criticar esses tantos padres e pastores que abusam sexualmente de crianças e adolescentes! Foi ele e, por ser quem é, pode ter conseguido fazer com que Caleb pensasse mal do pai... achando que o pai fosse um monstro, que ele era mal e o responsável pelo que vinha acontecendo a Nell. Não seria difícil convencer um adolescente estranho, ainda tocado pela morte da mãe que o pai é mal (ainda mais um pai como o Louis, todo estranho).
Além disso, poderia sim ficar a ideia de real possessão... que demônios existem e a menina tinha sido escolhida pra mãe do filho da besta!
O fato é que se eles não deixassem claro, a discussão prevaleceria... mas com o fim que fizeram, fica só... "viu, era tudo verdade! Tenham fé em Deus! Acreditem no diabo!"
Ah... raso, superficial demais.
O filme poderia ter acabado com eles indo embora... sem morrer... Ou então sendo sim perseguidos pela turma do pastor... mas com a câmera caindo, quebrando e parando de gravar... (mas ai... como eles teriam as imagens? E mesmo na situação proposta pelo diretor... como eles teriam as imagens??? A câmera e todo o material da equipe escaparam miraculosamente? Se eles os mataram, destruiriam as provas disso!).
Seria muito mais real se a equipe fosse embora correndo, ok... desligasse a câmera e fossem editar todo o material pra gente ver o que vimos no cinema.
Enfim, se vale a pena ver o filme... sim, vale. Mas sem expectativas.
Como eu disse, gostei do filme até os minutos finais... e, bom, isso não foi a primeira e nem será  a última vez que acontecerá.
Precisamos de roteiristas bons e corajosos! Ousados e criativos!!!
Nota 3,5 (de 5)