sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Saw - Jogos Mortais, a série.

Em 2003, James Wan e Leigh Whannel lançaram um curta metragem de 9 minutos chamado SAW. Esse curta serviu para apresentar a ideia aos estúdios de cinema. O tal curta mostra um cara (David) participando do jogo da armadilha de urso invertida. A chave para se livrar dela estava no estômago de um cara desacordado que estava no chão da sala. Ele consegue arrancar a chave lá de dentro e escapa da morte por um triz.

(Aqui está o curta, pra quem nunca viu)



Os dois rodaram por estúdios mostrando o tal curta para tentar rodar o projeto. Conseguiram arrecadar pouco mais de um milhão de dólares (o que é bem pouco pra produção de um filme de longa metragem), e lançaram o filme de modo independente.
O filme foi gravado em apenas 18 dias e estreou no dia 19/01/2004 no Festival de Sundance (um dos mais importantes festivais de cinema independente do mundo, que acontece todos os anos em janeiro).
O filme foi o maior sucesso de bilheteria! (se pensarmos no quanto ele custou). O filme faturou 103 milhões de dólares (e custou 1,2 milhão).
Aqui no Brasil o filme chegou pela Paris Filmes no Halloween de 2004 (estreou dia 29/10). Aqui, quase 400 mil pessoas pagaram ingressos para vê-lo na telona (fora as muitas pessoas que viram o filme apenas pelo computador ou DVD).
Claro que, por conta de todo o sucesso do primeiro filme, não foi difícil conseguir financiamento para o segundo, (que teve orçamento de 4 milhões de dólares, ainda baixo e ainda muito lucrativo, já que faturou quase 150 milhões de dólares), que foi lançado no ano seguinte. Leigh Whannel continuou no projeto, mas sem James Wan. A direção ficou com Darren Lynn. Wan voltou a participar como roteirista no terceiro, de 2006. Esse terceiro saiu bem mais caro (12 milhões), e o lucro foi maior que o segundo (USD 164.800.000), porém a porcentagem de lucro já estava caindo (mas ainda era um projeto muito lucrativo). Não a toa, em 2007 já estavam lançando o quarto filme.
A dupla original (Wen e Whannel) não fizeram parte do projeto. Darren Lynn continuou na direção, mas o roteiro foi escrito por outras pessoas: Patrick Melton e Marcus Dunstan (que até então, até onde achei no IMDB, só tinham feito (juntos também) o roteiro de um filme trash chamado “Feast”, que saiu aqui no Brasil como “Banquete no inferno” -  não vi esse filme) e Thomas H. Felton (que já havia feito alguns papéis como ator na TV e no cinema sem grande destaque). Ou seja, a coisa podia dar muito errado. Não é que eu não ache que o fato deles serem pessoas iniciantes é um problema, mas continuar a série sem nenhum dos criadores originais, sim.
O quarto filme custou um pouco mais barato que o terceiro (10 milhões), mas faturou menos (pouco menos de 140 milhões) Apesar do lucro ter caído, Saw ainda era um produto muito lucrativo. Não a toa, em 2008, mais um filme foi lançado, o quinto. A quinta produção contou com a direção de David Hackl (que foi designer de produção de Saw II, III e IV – únicas coisas que tem no seu currículo no IMDB) e roteiro de Marcus Dunstan e Patric Melton (que estavam na equipe do filme de 2007). O quinto filme custou praticamente o mesmo que o quarto, mas o faturamento foi ainda menor, USD 113.864.059.
No ano seguinte, para “manter a tradição”, mais um “Saw” lançado para o Halloween. Mais uma vez o roteiro ficou com a dupla Dubstan e Melton. A direção foi pra mão de Kevin Greutert (que tinha sido o editor de todos os filmes anteriores). Esse filme foi ainda pior que os outros se levarmos em consideração a receita obtida: pouco mais de 68 milhões de dólares, para um filme com orçamento de 11 milhões. Apesar da “queda livre” dos lucros, ainda era algo lucrativo.
Em 2010 a franquia chegaria ao fim com “Saw 3D – the final chapter”. A direção mais uma vez ficou nas mãos de Kevin Greutert e o roteiro com a dupla Dunstan e Melton. Esse foi o mais caro filme da série, provavelmente por conter a tecnologia 3D (que no fim, me pareceu absolutamente desnecessária). O faturamento aumentou em relação aos últimos filmes da série, ainda assim, não foi o mais lucrativo da franquia, ficando em pouco mais de 136 milhões de dólares.
Apesar de muitos altos e baixos, posso dizer que Saw se tornou um ícone do cinema de terror.
A partir de 2004 começamos a ver várias outras produções de terror “gore” nos cinemas, certamente por influência da série.

Em 2010, escrevi aqui no blog um texto sobre a série.
LINK DO POST AQUI!
Ainda não tinha visto o sétimo e último filme e, na ocasião, tinha dito que voltaria ao blog para escrever sobre ele e para fazer minhas considerações finais.

Também pretendia contar toda a história de modo cronológico, sem seguir necessariamente a ordem dos filmes, mas dos acontecimentos e apresentar os furos e erros de continuação do roteiro como um todo. Acho que pra fazer essa parte teria que rever todos eles e fazer minhas anotações (pq confesso que já não me lembro mais dos detalhes). Em 2010, antes de ver Saw 3D eu fiz uma maratona dos seis filmes e tinha feito tais anotações, mas elas se perderam nesse tempo.

5 anos depois do fim, volto aqui (motivada por uma lembrança do Facebook) para ao menos falar minha opinião sobre o fim – depois de tê-lo revisto. Só tinha visto no cinema (a versão 3D, ao lado de dois rapazes de uns 20 anos de um lado e um casal de namorados de uns 20 e poucos do outro. Ainda me lembro da reação dessas 4 pessoas ao filme... da cara de nojo da moça ao me ver comer calmamente minha pipoca enquanto as cenas se passavam, ao me ouvir rir em alguns momentos e não fechar os olhos em nenhum. Fazer o quê se eu realmente gosto de filmes de terror – inclusive dos gore?! Enfim, hoje revi o filme (arrumei um tempinho – raro agora que sou mãe de um bebê de quase 1 ano).

Eu gostei sim do sétimo filme, muito mais do mesmo, mas realmente acho que não tinha como ser diferente. Gostei de como acabou. Nos deixou a dúvida se as mortes continuaram ou não... Por ex, o jogo do começo não estava (até onde pude perceber) nos projetos de John. Seria uma continuação dos jogos pelos seus seguidores? Seria um “gran finale” pensado por John, por isso ser em público, em frente de uma grande plateia (que não conseguia impedir nada). Enfim, não sei. Mas gosto de pensar nessa segunda hipótese (que isso, de ser em público, tinha sido uma ideia que John comentou com Dr Gordon e ele resolveu pôr em prática, com auxílio daquelas outras pessoas, para (de certa forma), homenagear John Kramer. Penso que isso pode se relacionar ao cartaz principal do filme, que mostra uma estátua dele (imensa) sendo erguida no meio da cidade.
Claro que não gostei de tudo: fiquei meio chateada com a morte de todos aqueles policiais. Mas gostei bastante, por exemplo, de ver Hoffman (ele sim um vilão típico, malvado por natureza) sendo trancado no banheiro (do primeiro Saw) por Dr Gordon – que, pelo jeito, realmente acreditava nas razões de John e em toda aquela história de reabilitação e redenção (que tanto comentei no outro post).



O fato é que também já foi divulgado na mídia que o tal “final chapter” não será realmente um capítulo final. A dupla que criou a ideia original (James Wan e Leigh Whannell), depois de ter conseguido ganhar seu espaço no cinema (eles tinham muito medo de ficarem conhecidos como “os caras dos jogos mortais”), eles decidiram voltar! Só pra comentar, James Wan foi o diretor do ótimo “Invocação do Mal” e do também muito bom “Sobrenatural” (que tem o roteiro de Leigh Whannell). Wan também dirigiu depois de “Saw” alguns outros filmes como “Sentença de morte”, “Gritos Mortais” e “Velozes e furiosos 7”. Além disso está dirigindo alguns filmes previstos para serem lançados ano que vem: “Robotech” (filme de ação e ficção científica), “Invocação do Mal 2” e “Aquaman”. Já Leigh Whannell se lançou como diretor esse ano com “Sobrenatural: a origem” (que eu ainda não vi). Como roteirista, depois de “Jogos Mortais”, escreveu (como já comentei) “Sobrenatual” (e também o “2” e “a origem”), “Gritos Mortais” (dirigido por Wan) e “Cooties” (que também é de terror, mas eu não vi).
Parece que para o próximo filme John Kramer estará de volta (já que, pelo que parece, o ator Tobin Bell está no elenco). Mas sei lá se essa informação são apenas rumores ou fatos concretos. “Saw 8” aparece no IMDB... Mas até agora não achei nada concreto sobre gravações ou algo do gênero na internet. Pelo jeito, se realmente for rolar, deverá ser filmado em poucos dias, como os outros, e as gravações só começarão ano que vem.

Que venha!
E tomara que, depois de terem outras experiências no cinema de terror, essa dupla mega criativa (afinal, vamos combinar, que antes de “Saw” ser lançado em 2004 estávamos com filmes bem do gênero ruinzinhos), consiga reviver Jigsaw e nos deixar arrepiados na poltrona do cinema!

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A maldição da libélula

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Esses dias estava em casa a toa e ia começar a passar na tv o filme “A maldição da libélula”, como li o nome de relance pensei se tratar de “O mistério da Libélula”, um filme de amor bonitinho que já tinha visto há muito tempo e pensei: vou rever! Mas ai o filme começou e... bem, não era bem o filme que eu pensei que fosse. Cliquei rapidamente em “informações” e vi que era um filme de terror. Como gosto muito do gênero resolvi ver. Nunca tinha ouvido falar desse filme antes e não fazia a menor ideia (além das poucas informações que apareciam na tv) do que esperar.
O filme é uma espécie de “Jumanji” de terror! Isso mesmo, aquele filme dos anos 90 com o Robin Willians que muita gente já viu e muita gente (como eu) adora! Mas a comparação fica só no fato de nos dois filmes terem um jogo e as coisas que aparecem nas jogadas realmente acontecerem.


Em “A maldição da libélula”, que originalmente chama “Open graves” (e também achei como “Jogo macabro”) há a fórmula manjada dos filmes (fracos) de terror voltados para o público jovem (e idiota): jovens sarados, mulheres gostosas seminuas, muita bebida, sexo e estupidez. Os personagens são mostrados de modo raso e por isso não há identificação com eles.
Pelo jeito não gostei do filme não é mesmo? Pois é, não! A única coisa boa que ele me trouxe foi a vontade de querer escrever novamente aqui no blog – que já estava abandonado há mais de um ano.

O filme se passa em uma das praias do noroeste da Espanha. O personagem central é Jason, que está apaixonado por uma menina misteriosa chamada Erica (como os personagens são todos rasos, não sabermos muito sobre Erica não parece nada demais). Ele tem um amigo que faz fotos sensuais de garotas – e é um galinha, porque tira vantagem dizendo ter “traçado” todas as belas que fotografou (visão machista e preconceituosa dos fotógrafos e das modelos), inclusive tem duas garotas que ele pega que fazem parte do grupo – outra coisa que fica superficial no roteiro. No grupo também tem o Tomás, que sabemos quase nada e fica meio claro que ele existe só pra ter mais um cara pra morrer.


Esses seis “amigos” estão na casa de Jason depois de uma balada e resolvem jogar “Mamba”, um jogo que Jason ganhou de um cara estranho de uma loja(?) ainda mais estranha que ele entrou sei lá por que. O cara da loja foi extremamente estúpido com ele e no final dá um “presente”. Nem um pouco suspeito, não é mesmo? Ah, detalhe: o cara estava em uma cadeira de rodas e não tinha as pernas.

O tal jogo vinha com um “manual de instruções” que, além de ensinar as regras, contava que tinha sido feito com a pele de uma bruxa que tinha sido esfolada viva na época da inquisição espanhola (no final do século XV). O “manual” prometia ao vencedor a realização de um desejo.

Céticos, eles resolvem jogar por diversão (além disso, vai que realmente o vencedor realiza o desejo, não é mesmo?) Só que conforme o jogo foi transcorrendo, e conforme as cartas foram tiradas, eles iam morrendo.


Ah, estava me esquecendo de um policial que aparece no começo e em outros momentos do filme para dar um ar de “CSI” ou até mesmo para copiar “Jogos mortais”, que também tem investigadores. Mas esse personagem também é raso e não chega a resolver nada.

A ideia geral do filme pode até ser legal, mas o roteiro é sofrível. Além disso os efeitos especiais são toscos, mas não aquele tosco bacana dos filmes antigos, mas bem ruim mesmo.
O final é péssimo...

Ah, cansei de escrever sobre esse filme. Mas que fique a fica: fique longe dele! (ou então assista por sua conta e risco, depois não reclama de ter perdido duas horas da sua vida!)

Mama

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Mama é um filme de Andrés Muschietti,  produzido por Guillermo Del Toro. Muitos até achavam que era dele e por isso foram ver. Del Toro viu o curta metragem “Mama”, criado por Muschietti e adorou. Do sucesso do curta é que veio a ideia de transformá-lo em um longa.
Diferente do curta, que o diretor usa atores espanhóis (como ele), no longa o elenco principal é composto pela talentosíssima atriz americana Jessica Chastain (indicada ao Oscar por “Histórias Cruzadas” e que também brilhou em “A árvore da vida”, “A hora mais escura” entre outros), pelo dinamarquês Nikolaj Coster-Waldau, mais conhecido por interpretar Jaime Lenister em “Game of thrones” e as garotinhas Megan Charpentier e Isabelle Nelisse (respectivamente Victoria e Lilly). A americana Megan tem no currículo (outros filmes sombrios, como “Residente Evil 5”, “A garota da capa vermelha” e “Garota infernal”) e a francesinha Isabelle, até onde eu sei, só fez esse filme (por enquanto).


Mama, como já comentei, nasceu um curta metragem – que é muito bom por sinal. Nele a história não era muito clara, só que tinha uma “mamá” que assutava duas menininhas. No longa, Muschietti aproveita para contar detalhes de quem é essa “mamá” e de quem são essas garotas.

Esse é o curta:
 

Um resumo do roteiro do filme: o pai de Victoria e Lilly mata a mãe das garotas e as crianças fogem assustadas para a floresta. Durante anos ninguém tem notícia do paradeiro delas (até se pensava que tinham morrido), mas então elas reaparecem, sem explicar como tinham sobrevivido todo esse tempo sozinhas (sozinhas?). A única família que elas ainda tinham eram os tios Lucas e Annabel. Apesar de todas as dificuldades aparentes (as meninas mais pareciam animais selvagens), eles ficam com elas. Um psiquiatra tenta cuidar delas, para pesquisar os efeitos que o tempo e o modo de vida que elas tiveram causou em suas mentes. Logo todos percebem que há algo errado. As meninas conversam frequentemente com uma espécie de entidade invisível que chamam de “Mama”, a mesma entidade sobrenatural que cuidou delas na floresta.
Coisas muito estranhas começam a acontecer e então vamos realmente conhecer a tal “Mama”.


O filme tem uma fotografia linda e penso que isso pode ter um dedinho de Del Toro – já que achei o visual bem parecido com alguns de seus filmes. O suspense da trama consegue cativar e o diretor consegue, em alguns momentos, nos deixar bem presos à trama e até nos dá alguns bons sustos.
Os atores são ótimos e preciso destacar as duas garotinhas que conseguem nos despertar os mais diversos sentimentos. Outro destaque é para os personagens. Ultimamente os personagens que aparecem em filmes de terror são uns idiotas ou então são apresentados de modo tão raso que não há identificação. Isso não acontece em Mama.

Outra coisa interessante sobre o filme é que Mama, na verdade, é interpretada por um homem: Javier Botet (que também fez os filmes “Rec”). O corpo dele é que faz aquelas contorções estranhas – e não efeitos de computador!
Mas (e para alguns pode parecer uma absurdo esse “mas”) confesso ter gostado mais do curta do que do longa.  Não gostei da explicação para quem é a “mama” e já alerto que não gostei do final. Se é um bom filme? Sim, mas não é ótimo. Também pode ser que eu tenha criado muitas expectativas e isso não é bom. Achei um filme bonito, mas não muito assustador. Um filme mais triste do que assustador.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Salmo 21

Depois de meses sem escrever nada aqui no blog, resolvi voltar - afinal, me sobrou um pouco de tempo para isso (andei muito ocupada e estressada nos últimos meses).

Um conhecido me indicou o filme sueco "Salmo 21", já que eu costumo gostar de produções europeias.
Para quem nunca ouviu falar nada do filme a história é basicamente a seguinte:


Henrik é um jovem padre luterano que vive em Estocolmo. (Apesar de ser padre é separado de sua esposa, que vive com outro homem. Eles tem um filho que, aparentemente se dá melhor com o padrasto que com o próprio pai). Ele é frequentemente atormentado por pesadelos com sua falecida mãe.
Um dia, recebe a notícia de que seu pai (que também era padre luterano e que estava afastado dele há muitos anos e que vivia em Hammerdal, um povoado remoto da Suécia) tinha morrido afogado.
O jovem padre vai até o tal povoado para saber mais sobre o que aconteceu.
Lá ele se depara não só com pessoas estranhas que parecem querer esconder várias coisas deles, mas também com o inferno.

O filme é meio estranho. Não sei dizer se eu gostei ou não dele. Achei interessante, mas não é o tipo de filme que me chama a atenção.
O roteiro é um tanto mal formulado. Tem, em minha opinião, cenas desnecessárias (como a que ele está com a "menina demônio" na cama do celeiro!). O filme tem uma ideia legal, mas não acho que foi bem trabalhada cinematograficamente, fazendo com que pareça confuso e vazio.


Não é um filme que vai te dar sustos, nem tem cenas escatológicas ou de sangue que possam te deixar com nojo. O terror é muito mais psicológico que visual - e ai é que mora o problema do filme: ele não consegue nos prender nessa teia de drama psicológico - pelo menos não prendeu a mim.

O que vou falar agora é spoiler, mas preciso falar para poder elogiar o filme:


Um dos temas que me agradou em "Salmo 21" é que ele fala, na verdade, de um padre pedófilo (como tantos que, infelizmente, tem por ai) que abusou do próprio filho e de outras crianças. O filme mostra o quanto esse tipo de trauma pode acabar com a vida de uma pessoa, do quanto que algumas crianças sofrem caladas por medo ou por realmente não entenderem absolutamente o que está acontecendo - afinal, é um padre, uma pessoa de Deus!

Outra coisa é o título do filme: Salmo 21.
Algumas pessoas devem saber que depois do Salmo 9 há uma pequena confusão. Alguns chamam o Salmo 10 de 9B e, portanto, eles tem duas numerações. Ou seja, o Salmo 21 pode ser o 21 (20) ou o 22 (21). No filme eles lem o 21 (20):

Dá uma olhada:
"(...) Tua mão alcançará teus inimigos todos, tua direita encontrará teus adversários.
Ateia fogo neles como a um forno, no dia em que te manifestares.
Javé os engolirá com sua ira, e um fogo os devorará.
Extirparás da terra sua posteridade, e sua descendência dentre os homens.
Ainda que pretendam o mal contra ti e façam planos, nada irão conseguir.
pois tu os afugentarás, mirando a face deles com teu arco (...)"

Meio pesado né? Uma coisa meio: "vai lá e se vingue do seu inimigo" - que é, de certa forma, o que acontece no filme.

O interessante é que se formos ver o salmo 21 mesmo (que é o 22):

"Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? Apesar de meus gritos, minha prece não te alcança!
De dia eu grito, meu Deus, e não me respondes. Grito de noite, e não fazes caso de mim! (...)
Não fiques longe de mim, que a angústia está perto, e não há ninguém para me socorrer (...)"

e por ai vai!


O fato é que esses dois salmos estão presentes no filme. O primeiro pela vingança e o segundo pela sensação de abandono de Henrik.
O final tem um desabafo (que eu achei sensacional - a melhor parte do filme) sobre a hipocrisia da igreja (e o que ele fala não é só pros luteranos, mas pra todos os cristãos). Quando ele entende tudo aquilo consegue finalmente viver em paz.

Bom, eu não conheço super bem a igreja da Suécia. Sei que recentemente eles "causaram" por ordenar a primeira episcopisa lésbica! Além disso, eles celebram casamentos homossexuais (para desespero dos cristãos mais tradicionais). Não sei dizer se o que é comentado no filme (sobre o conceito de inferno ter sido abolido da igreja sueca em 1983) é verdadeiro...

Eu não classificaria esse filme como terror. Acho que muita gente que, como eu, é amante do gênero, vai se decepcionar... Mas ainda assim eu acho que é um filme interessante. Não é muito bom, mas também não é ruim. Vale o tempo!

Hoje descobri que dá até pra ver uma versão dublada no youtube.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A Bruxa de Blair 2

Hoje, por acaso assisti "A bruxa de Blair 2: o livro das sombras". Ainda não tinha visto esse filme.
Vi o original na época em que foi lançado e, como não tinha acesso à internet (morava numa cidade pequena e não tinha muito dinheiro - já existia por lá mas era bem caro) realmente acreditei que aquelas imagens pudessem ser reais.
Cresci ouvindo histórias de fantasmas, bruxas e lobisomens e não duvidava desse tipo de coisa.

O filme original em si não me causou medo. O que me causou certo desconforto foi a ideia. Quando descobri que fui enganada, passei a achar o filme ainda mais besta. Tão besta que decidi não ver as continuações. Mas hoje, muitos anos depois, liguei a TV e estava começando a continuação e senti curiosidade de ver.
Bom, primeiro fiquei feliz porque não seria mais um falso documentário (não sabia que não era) e, com algumas ressalvas, gostei do filme.
Pois é, foi uma boa surpresa.


O filme parte da febre que virou "A bruxa de blair"- e isso não é ficção. Realmente aquela região em que foi rodado o filme virou uma espécie de meca de fãs do gênero e de malucos de várias partes do mundo. E eu acho que esse é um ponto muito interessante do filme.

Um rapaz da cidade resolve ganhar dinheiro com isso e cria uma espécie de pacote turístico para levar pessoas para conhecer o local das filmagens e tentar "caçar" a famosa bruxa. era a primeira turma que Jeff levava até lá e, é claro que coisas estranhas aconteceram.


O grupo era formado por uma jovem que se dizia bruxa, uma garota gótica, um pesquisador e sua namorada grávida, além de Jeff, o "guia". Eles vão para a floresta cheios de câmeras de última geração para captar todos os momentos. Mas à noite, todos dormem. Quando acordam pela manhã o cenário está todo destruído, câmeras estão quebradas e a moça grávida está perdendo o bebê. Saem da floresta, vão até o hospital, mas depois ficam um tempo na casa de Jeff e é por lá que as coisas mais estranhas começam a acontecer.


O filme traz algumas discussões muito interessantes como, por exemplo, a histeria coletiva - que era o tema da pesquisa de Stephen. O medo é contagioso, a paranóia é contagiosa! Além disso discute o que é verdade e o que é mentira. As câmeras mostram uma coisa verdadeira ou as imagens foram manipuladas pela bruxa? Ou será que as câmeras mostram a verdade e são eles que resolveram esquecer de tudo... Ou será que foi a bruxa?
Será que eles viram aquilo que queriam ver? Será que não foi tudo uma grande alucinação? Por exemplo, nas cenas em que Kim está conversando com o policial ela não tem nenhuma marca no ombro... Se elas realmente tivessem existido, estariam ali! E a ponte? Eles enxergam que a ponte quebrou, mas ela está inteira quando são levados pela polícia... A van a mesma coisa. Ela está inteira, não há nem o amassado da batida na árvore (quando Kim está voltando do mercado).

A última fala do filme é "é tudo mentira". Curioso! Sobretudo se levarmos em consideração a grande mentira que foi o primeiro filme. Será que não é uma espécie de crítica à sociedade que acredita muito facilmente nas coisas que vê na tv e na internet? Será que não é uma crítica ao poder que filmes de violência podem gerar?


O filme em si não é lá grandes coisas. Os atores são medíocres, a fotografia poderia ser melhor, a edição é meio tosca. Mas ainda assim acho que vale a pena ver, sobretudo por conta da reflexão.

Não é um filme repleto de sangue, sustos ou que dá medo... a não ser que a gente pense no quanto a gente pode ser manipulado pela mídia... no quanto que a gente pode enlouquecer! Será que a bruxa existe ou será que a bruxa é o terceiro poder???

sábado, 21 de julho de 2012

Filmes já comentados - II


Já passaram de 50 filmes comentados aqui no "Medo e cia" (na verdade foram 54 - ou melhor, mais já que tanto jogos mortais, O albergue e atividade paranormal usei um único post para falar da série).
Aqui estão os links, bem como o link das postagens anteriores. Bons sustos pra todos!




Aqui está o LINK pra ver a lista dos outros filmes já comentados.

Ah, a imagem ai em cima foi tirada da página do facebook do Medo B.

Um drink no inferno

Eu achava que já tinha escrito sobre esse filme  e me surpreendi quando percebi que ainda não o tinha feito! Hoje, meio sem querer, revi "Um drink no inferno" (estava passando na tv) e então decidi corrigir esse absurdo.


Este não é exatamente um filme de terror mas uma mistura de terror, ação e comédia. O roteiro é de Quentin Tarantino (um dos meus diretores preferidos) e a direção é de Robert Rodriguez, que já tinha dirigido "A balada do pistoleiro" (e que depois dirigiu alguns filmes bem interessantes, como "Era uma vez no México", "Sin City - a cidade do pecado" e "Machete", entre outros).


A história (pra quem ainda não viu) é a seguinte: os irmãos Gecko, dois procurados pela polícia por 16 mortes sequestram uma família que estava viajando de férias para tentar passar pela fronteira do México. Quando conseguem atravessar a fronteira, precisam ir até um bar de estrada que tinha sido o ponto de encontro com outros bandidos... O que eles não sabiam é que aquele lugar era frequentado por vampiros! E ai, o bicho pega!!!
Seth Gecko (George Clooney)é o irmão mais centrado, o líder. Richard Gecko (Tarantino) é um idiota maluco psicótico! Tarantino chegou a ser indicado ao "Framboesa de Ouro" de pior ator por sua atuação nesse filme. Bom, vamos combinar que Tarantino não é ator, além de que o personagem é bem estranho mesmo!
A família é formada por Jacob, um ex-pastor que tinha perdido sua fé quando sua mulher morreu em um acidente de carro e, seus dois filhos adolescentes: Kate e Scott.



"Um drink..." é um desses filmes de terror divertidos. Não dá medo... o máximo que sentimos é um certo "nojinho" por conta da quantidade excessiva de gosma que "pula" dos vampiros quando eles são mortos! Falando em vampiros, eles são medonhos!!! Ok, o filme é de 1996, mas ao vê-lo agora as maquiagens parecem todas muito horríveis. Além disso, é extremamente evidente os colans para simularem a pele estranha dos monstros!
Bom, eu disse que os vampiros eram feios... mas é até um crime não mencionar que as mulheres do bar (antes de se transformarem - que fique bem claro) são até bem bonitas! Destaque para uma jovem Salma Hayek (que pra mim se eternizou na imagem da pintora mexicana "Frida Kahlo") semi nua e sensual. Seu número de dança é um dos pontos altos do filme!




Uma questão interessante nesse filme é a mudança dos personagens. De sequestradores e sequestrados eles passam a ser companheiros de batalha, passam a jogar no mesmo time. No fim já nem importa mais...


Vale a pipoca (se você não tiver nojinho).